Bike no Metrô – um triste episódio de constrangimento

abril 3, 2012

Sábado passado me ocorreu um episódio um tanto quanto paradoxal… Acontece que estavamos voltando de uma ação linda para incentivar crianças a usarem a bicicleta, lá perto do CEU de Heliópolis, no evento de lançamento do programa “Escolas de Bicicleta”.  Foi tudo incrível, lindo, perfeito.

Saimos de lá, junto com uns amigos, pedalando com um sorriso estampado na cara em direção à estação do metrô Sacomã, onde fariamos um intermodal básico para chegar até nossas respectivas casas. Como tinhamos levado um monte de materiais para o evento na bike, estavamos bem carregados e sem condições para levar a bike na escada fixa do metrô. Já estavamos ciente da liberação da escada rolante para subir e também da proibição de usá-la para descer…

Chegamos na estação e de cara uma escada subterrânea tão enorme que mal conseguiamos ver o fim dela! Com o peso que estavamos, não tinha viabilidade humana de carregá-las ali. Isentos de opção, pegamos a escada rolante para descer. Até aí tudo tranquilo, ninguém chamou nossa atenção.

Entramos no metrô e lá vem mais escadas pra descer. No meio de duas escadas fixas tinha um elevador abandonado (ficamos ali uns bons 2 minutos e ninguém apareceu!). Analisamos as escadas fixas e novamente concluímos que com o peso que estavamos (e com as damas também cansadas), não rolava. Chamamos o elevador e a primeira bike desceu (não cabia mais que uma). No meio tempo eu encarei a escada fixa, que era pequena, mas muito sofrida. Deu pra descer com leves marcas na mão…

Quando meu amigo saiu do elevador um funcionário do Metrô desce correndo e começa a gritar conosco. Basicamente ele queria dizer que existia um regulamento e que nós deveriamos respeitar. Ele poderia ter dito assim, sem grandes alardes, mas fez questão de fazer isso em alto e bom tom, insinuando que eramos uns fora da lei mal educados, o que, obviamente, chamou a atenção de todas as pessoas que estavam na plataforma. Cena constrangedora! Não tive escolha se não mentir que meu amigo tinha problema nas costas. Tive que subir o tom e perder toda a paciência e alegria que contive no meu dia para curar a síndrome do pequeno poder daquele rapaz.

Ao ver que a discussão tinha perdido a razão, virei as costas e fui embora, indignado com a atitude daquele funcionário. E o que me deixou mais indignado é que em momento algum eu vi um comunicado no Metrô dizendo “Ciclista vá por aqui”, ou ainda “Ciclista está proibido de usar escada rolante e elevador”! Ou seja, tinha que vir da minha livre e espontânea consciência imaginar que existia tal regulamento. Pensei nas centenas de pessoas que já usaram a bike no metrô e devem ter passado por situações parecidas sem conhecer regra nenhuma.

Curioso esta instituição não pensar nesses detalhes, mas ter estancado em todas as entradas das estações uma placa a la greenwash: “Sua bicicleta é bem-vinda”. Será que é mesmo?

P.S.: Obviamente essa história já está a caminho da Ouvidoria do Metrô. Vamos ver no que que dá… Aguardem novidades nos próximos capítulos!


Privilégio ou Coragem?

março 28, 2012

O privilégio

Ir de bicicleta pro trabalho traz umas histórias curiosas… Outro dia chego no trabalho e sou recebido no bicicletário do trabalho por um novo segurança. Antes mesmo de um bom dia ele me diz apontando pra minha bike: “esse é o melhor veículo pra São Paulo, hein?!” Daí puxamos maior papo, ele praticamente fez um monólogo de que só não vem de bicicleta porque mora muito longe, e que o metrô naquele dia tava todo parado, e o trânsito pior ainda. Me mostrou até um vídeo no celular assustador do tumulto que aconteceu no metrô!

Saí de lá intrigado com o papo do segurança. Em nenhum momento ele destacou que bicicleta é perigoso em São Paulo, que eu deveria tomar cuidado com assaltos, sequestros e sei lá qual outra modalidade do tipo, e que deveria repensar o uso da bicicleta. Nesses dias é raro sair de um papo novo sem ter que mostrar os argumentos que estamos cansados de falar todos os dias, que existe uma lei que dá o direito de andar de bicicleta na rua, de que capacete não é obrigatório, de que ciclista tem que ocupar a faixa, e que existem vias que não só as marginais (ô nome sugestivo, hein?) e as 23 de maio’s… Nada disso incomodou o segurança, apenas o entendimento de que BICICLETA = LIBERDADE = PRIVILÉGIO!

A coragem

Subo para o escritório e sou recebido com bom dias e no meio disso uma pergunta de um funcionário de cargo alto: “Você veio de bike hoje??????” (e bota interrogação nessa pergunta!). Naturalmente disse que sim. Na sequência vem as perguntas dos ‘mas…’. Mas não é perigoso? Mas e na chuva? Mas e a noite? Mas e o trânsito? Como a língua tá calejada com tantos argumentos, já tava pedindo truco, mas aí vem a frase que parece que a pessoa ignorou tudo o que você falou: “você é muito corajoso…”. O que responder depois disso? Parei o papo e segui em diante com o trabalho.

 

Com a sequência dos episódios que tive nesse dia sai com uma reflexão que estou carregando até hoje: por que o segurança me entendeu sem eu ter que falar um “a” e o executivo bem-sucedido não me entendeu depois de tantos argumentos? No fim, a melhor conclusão que tiro disso tudo é que você faz a cidade que você quiser. Se quiser ter medo e viver nas bolhas da vida, boa sorte. Eu sigo em frente de peito estufado pensando: “como eu sou privilegiado nessa paulicéia desvairada!”

 

E aí, qual a liberdade que você quer?


Adestramento de motoristas

junho 19, 2011

Desde fevereiro temos um cachorro figuraça em nossa casa. Como ele é grandinho e o nosso quintal é pequeno, adotamos o hábito de passear com ele todas as manhãs. Assim, ele gasta mais energia e não fica aprontando várias dentro de casa!

Nessas andanças diárias com o Nick, aproveitamos para adestrá-lo. Ensiná-lo coisas básicas como sentar, andar ao nosso lado, não ficar afobado, não brigar com os outros cachorros… O João ainda aprendeu vário truques com “O Encantador de Cães” e vira e mexe aplicamos eles no Nick! Um deles é tentar não repreender o cachorro falando o nome dele, pois assim ele entende que o nome dele está associado ao comportamento ruim. O certo é fazer alguns barulhinhos que ele entenda que estamos dando um bronca nele. São coisas do tipo, “eeeiii”, “chiiiiuuuu”, “ooowwww”… e tem funcionado.

Mas, não é que dia desses me vi fazendo os mesmos sons que faço para repreender o nosso cachorro para chamar a atenção dos motoristas?! E o pior… funciona! É muito engraçado. Se eu vejo um carro passando muito próximo de mim, invadindo a faixa de pedestres, tentando avançar no vermelho, saindo com tudo da garagem… basta fazer um “””eeeeiiii”, “ooowwwww”, “chiiiiiii”… e eles param na hora de fazer a lambança!

Fiquei impressionada! As primeiras vezes fiz os sons naturalmente, já acostumada a repreender um animal dessa forma (e porque não dizer que motoristas inconsequentes não são animais, né?!), e quando vi que funcionou, me acostumei! Recentemente a minha buzina quebrou e ainda nem senti falta dela. Os barulhinhos adestradores e, em alguns casos, gritos estridentes para os mais desatentos, tem funcionado muito bem! Isto me faz imaginar que, assim como os cachorros, muitos motoristas da cidade de São Paulo precisam passar por um verdadeiro processo de adestramento. Já que as auto escolas não têm feito isso, que façamos nós mesmos então!


Contraste de incentivos

junho 6, 2011

Copenhague

Quando falamos que o segredo está nos detalhes, isso serve também para a mobilidade urbana de uma cidade. Em entrevista recente com o prefeito de Copenhague um ponto me chamou atenção. A neve é um grande dificultador para as pessoas sairem nas ruas e usarem seus meios de transporte. Copenhague sofre deste problema, mas usou isto a seu favor. Quando chega o inverno, a Prefeitura retira a neve das ciclovias antes de limparem as ruas. Isso faz com que as pessoas optem pela bicicleta, já que daria um grande trabalho sair de carro na neve.

Em Copenhague, prefeitura retira neve das ciclovias antes que das ruas para carros

Em Copenhague, prefeitura retira neve das ciclovias antes que das ruas para carros

São Paulo

Em contrapartida, vemos vários exemplos do incentivo ao automóvel em São Paulo. A foto abaixo mostra um dos principais cruzamentos da cidade – Av. Rebouças com Av. Brasil. A Av. Brasil teve o asfalto recapiado em menos de dois dias, mas fizeram o absurdo de cobrir a faixa de pedestre! E aí como que fica? Qual é o limite para os automóveis respeitarem os pedestres nessa situação? (veja post mais detalhado sobre isso) A Av. Luis Carlos Berrini passou pelo mesmo processo, tendo todas as faixas de pedestres cobertas pelo asfalto!
"Puta falta de sacanagem" com os pedestres
“Puta falta de sacanagem” com os pedestres

Neste momento, entende-se perfeitamente qual a prioridade de incentivo dos governantes: o carro. E o mesmo se aplica para gestores de condomínios e shoppings como o Bourbon, que criam impedimentos para pedestres e ciclistas, enquanto que o cara que vai de carro faz tudo com muita facilidade. Gestores, aprendam: incentivos geram demanda! E a nossa demanda atual é por uma mobilidade mais sustentável.

 


20.000 bikes transformando uma nação em guerra!

março 30, 2011

O vídeo abaixo mostra uma espetacular experiência da ONG Pedals For Progress, que transformou uma cidade do Nicaragua em tempos de pós-guerra. A ONG levou 20.000 bicicletas para a cidade de Rivas e os resultados são nitidos. Não só a bicicleta se tornou o principal meio de transporte da cidade, mas a economia, que vinha defasada por conta da guerra, se desenvolveu exponencialmente! Deste projeto saiu um filme chamado “The Bicycle City” que está sendo finalizado.

O site do filme é www.thebicyclecityfilm.com

Assista o trailer:


Bike Caixote – bicimudança

fevereiro 11, 2011

Na nossa bicimudança queriamos carregar o máximo de coisas por bicicleta. No começo parecia impossível, mas posso dizer que a Bike Caixote foi essencial para nos convencer de que esta bicimudança seria possível. Com ela conseguimos carregar…

 

...um botijão de gás
…um botijão de gás
...prateleiras de caixote de madeira
…prateleiras de caixote de madeira

Em duas bikes conseguimos levar 6 caixotes de madeira! E olha que tivemos que improvisar bastante para caber todas não só nos bagageiros, mas também do lado de fora da bike caixote. Puro malabarismo!

Veja mais sobre a Bike Caixote:
Bike Caixote – um ótimo pézinho


Bike Caixote – um ótimo “pézinho”

janeiro 30, 2011

Minha vida ciclística foi marcada por um caixote. Isso mesmo, um caixote de feira! Posso dizer que foi a partir do momento que adaptei uma caixa de plástico de feira na minha bike, a “Kiabin”, que realmente comecei a pedalar com frequência em São Paulo. Muitos brincam que estou fazendo alguma entrega, e já fui barrado várias vezes em condomínios onde porteiros achavam que eu realmente estava entregando alguma coisa! Mas não me incomodo com isso. A verdade é que esta bicicleta tem sido o meio mais prático para eu carregar minhas “tralhas”, seja para o trabalho, para viagens ou para lazer. Sendo assim, quero mostrar aos poucos a versatilidade desta incrível invenção que é a Bike Caixote!

Uma das utilidades do caixote é que ele serve como um ótimo “pézinho” pra bike. No começo havia instalado um apoio para ela, mas serviu por pouco tempo dado o peso e ponto de equilíbrio da bicicleta. Com um pouco de prática a bicicleta foi adestrada e logo aprendeu a ficar em pé…

 

Kiabin, a bike caixote, na Alemanha
Kiabin, a bike caixote, na Alemanha

 

A Bike Caixote descansando no caminho para Piracicaba

A Bike Caixote descansando no caminho para Piracicaba

No Caminho da Fé, além de ficar em pé, a bike caixote era super fotogênica

No Caminho da Fé, além de ficar em pé, a bike caixote é super fotogênica

No dia de batismo da bike caixote

No dia de batismo da bike caixote

Aproveitando a paisagem na Rota Marcia Prado 2010

Aproveitando a paisagem na Rota Marcia Prado 2010

Chegada na praia na cicloviagem Rodovia Rio-Santos

Chegada na praia na cicloviagem Rodovia Rio-Santos

O "pézinho" também serve para apoiar utilidades, como um copo de cerveja!

O "pézinho" também serve para apoiar utilidades, como um copo de cerveja!