Personagens

O que faz viajar de bicicleta ser tão especial? Pode ser a paisagem, a comida, os lugares… mas para nós, nesse pouco tempo viajando, o que realmente marcou cada lugar foram as pessoas que conhecemos pelo caminho. Andar de bicicleta te permite estar aberto a se comunicar com outras pessoas e correr um sério risco de achar personagens únicos e inesquecíveis.

Este espaço é para deixar registrado alguns desses personagens que fizeram toda a diferença por onde passamos de bicicleta!

Seo João, o lepidopterólogo

Seu João é pantaneiro. Nascido e criado na região de Poconé, no Mato Grosso. Nasceu e cresceu em fazendas de gado. Não aprendeu a ler e nem escrever. Com o tempo, a fazendo que seo João trabalhava virou área de proteção, assim como as fazendas vizinhas. No entanto, o Sesc Pantanal, quem comprou as áreas, não o mandou pro olho da rua. Convidou seo João para trabalhar lá. Mas com o que?! Questionou. Ele era analfabeto e só sabia lidar com o gado. Com borboletas! Por muito tempo seo João foi alvo até de brincadeiras. Onde já se viu peão de gado virar “cuidador de borboletas”. Mas ele topou! Hoje, seo João é semianalfabeto. Sabe ler e escrever o seu nome com muita dificuldade. Mas, pasmem, esse mesmo homem sabe de cor o nome científico de cada borboleta. Basta ele olhar e lá se vai a pronúncia de nomes quase impronunciáveis. Seo João entende desses belos bichos como poucos e deixa muito pesquisador no chinelo. Perguntei para ele qual o nome do profissional especialista em borboleta. Ele não lembrava, disse que era um nome muito difícil. Mas eu descobri pra ele. É lepidopterólogo. Anotei em um papel e dei de presente. Ele ficou feliz da vida. Guardou no bolso, com toda a sua simplicidade, e disse que vai carregar e mostrar para todos que perguntarem “o que o senhor é?!”. Sem estudos, mas com a experiência da vida, esse é o seo João, o lepidopterólogo do Pantanal de Poconé.

Seo João, o lepidopterólogo

Antônio – Um anjo no meio do caminho (da Fé!)

Quanto mais a gente convive com o Antônio, mais temos a sensação de que ele não é um ser humano, mas um anjo. Desses que aparecem e somem de repente para reaparecer alguns instantes depois ou muito, muito tempo depois. Conhecemos ele durante o Caminho da Fé num momento tenso: eu com o braço sangrando sem parar após um belíssimo tombo nas pedras e o João com a bike quebrada, roda torta que impedia qualquer giro no pedal. Tivemos que empurrar as magrelas por 7 km e no meio do nada surgiu o Antônio. Ele bateu papo conosco, nos animou – contou causos e histórias de outras passagens dele pelo Caminho da Fé – e nos distraiu o suficiente para esquecermos dos perrengues. Na entrada da cidade de Andradas, eles seguiu estrada e nós dois para a bicicletaria, farmácia, curativos, banho, comida e cama! Nos dias seguintes, em todos os lugares que passávamos já éramos aguardados. Todos sabiam que eu estava com o braço machucado e como? O Antônio, por onde passava, anunciava que estávamos a caminho pelo Caminho! Ficou na lembrança até o dia em que ele apareceu numa Bicicletada. Assim, de repente, como naquele dia no meio do nada em pleno Caminho da Fé. Retomamos contato, viajamos juntos para o Audax de Holambra. Mas, como um bom anjo, ele some e aparece, some e aparece, e entre sumir e aparecer ele sempre ressurge na hora certa.

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Marcão – o “bicha” catarinense

Conhecemos o Marcão durante o Vale Europeu. Primeiro ele nos cumprimentou no meio da estrada, depois nos achou num boteco tomando café da manhã. Em uma conversa de 5 minutos, ele se disse o “maior bicha” da região, virou um amigo e nos convidou para dormir na casa dele, às margens da represa de Rio Bonito. O Marcão é assim, ingênuo como uma criança, acredita nos seres humanos e se sente um privilegiado por poder hospedar dois cicloturistas de São Paulo, que ele acabou de conhecer, na casa dele. Ele chama todo mundo de bicha, até Jesus. A quem ele agradece pela chuva dizendo: “obrigado Zezus, sua bichaaaaa!!!!”. Figuraça, que deixou saudades.

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3 Responses to Personagens

  1. Este é um dos maiores orgulhos do ciclista/cicloturista é conhecer pessoas e lugares que nos deixam boas lembranças,pessoas simples que nos contam suas histórias como se fossemos velhos amigos.

    Um abraço

    Vilson Ciclista

  2. TaxBenassense disse:

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