A vida e a morte das vias expressas

abril 2, 2012

Papo meio nerd, mas muito importante!

Acaba de sair um estudo de duas organizações de relevância no tema mobilidade (Embarq e ITDP) chamado “THE LIFE AND DEATH OF URBAN HIGHWAYS” (A vida e a morte das vias expressas urbanas).
Clique aqui para ver a publicação

O estudo traz uma reflexão muito louca! No século 20 tivemos um processo de construção de vias expressas nas cidades, porque se entendia a necessidade de ter mais espaço para fluir (entenda-se fluxo de carros). Esse modelo legitimimamente americano foi copiado aqui no Brasil, principalmente em São Paulo (vide as Marginais).

Um parênteses: (Tô foliando um livro chamado “A morte e vida das grandes cidades” (Jane Jacobs) que fala justamente de como começou todo esse processo urbanístico que foi vendido como desenvolvimento. Pra quem quer se aprofundar no assunto, leitura obrigatória!)

Hoje, no século 21, estamos no processo inverso. Várias cidades começaram a perceber que não adianta dar mais espaço para os carros que não vai resolver nada. E a própria sociedade está deixando de ficar Acomodada no carro e passando a ficar INcomodada com a situação. Com isso, cada vez mais percebe-se a destruição dessas grandes vias expressas e a sua transformação em um espaço público para convivência.

Um dos casos mais louváveis é do Rio Cheonggyecheon em Seoul, onde se tinha uma espécie de marginal pinheiros com um minhocão e hoje é um incrível parque linear. Vejam a foto do antes e depois:

É uma tendência irreversível, acreditem… Agora a questão é: quando isso vai acontecer aqui em São Paulo e como estamos preparados para isso (para o fato de que perderemos espaço para andar de carro)? Hoje, infelizmente, o prefeito quer votos e a população não quer que mexa no seu espaço “adquirido pelo IPVA”. Mas vejo uma luz no fim do túnel…
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Adestramento de motoristas

junho 19, 2011

Desde fevereiro temos um cachorro figuraça em nossa casa. Como ele é grandinho e o nosso quintal é pequeno, adotamos o hábito de passear com ele todas as manhãs. Assim, ele gasta mais energia e não fica aprontando várias dentro de casa!

Nessas andanças diárias com o Nick, aproveitamos para adestrá-lo. Ensiná-lo coisas básicas como sentar, andar ao nosso lado, não ficar afobado, não brigar com os outros cachorros… O João ainda aprendeu vário truques com “O Encantador de Cães” e vira e mexe aplicamos eles no Nick! Um deles é tentar não repreender o cachorro falando o nome dele, pois assim ele entende que o nome dele está associado ao comportamento ruim. O certo é fazer alguns barulhinhos que ele entenda que estamos dando um bronca nele. São coisas do tipo, “eeeiii”, “chiiiiuuuu”, “ooowwww”… e tem funcionado.

Mas, não é que dia desses me vi fazendo os mesmos sons que faço para repreender o nosso cachorro para chamar a atenção dos motoristas?! E o pior… funciona! É muito engraçado. Se eu vejo um carro passando muito próximo de mim, invadindo a faixa de pedestres, tentando avançar no vermelho, saindo com tudo da garagem… basta fazer um “””eeeeiiii”, “ooowwwww”, “chiiiiiii”… e eles param na hora de fazer a lambança!

Fiquei impressionada! As primeiras vezes fiz os sons naturalmente, já acostumada a repreender um animal dessa forma (e porque não dizer que motoristas inconsequentes não são animais, né?!), e quando vi que funcionou, me acostumei! Recentemente a minha buzina quebrou e ainda nem senti falta dela. Os barulhinhos adestradores e, em alguns casos, gritos estridentes para os mais desatentos, tem funcionado muito bem! Isto me faz imaginar que, assim como os cachorros, muitos motoristas da cidade de São Paulo precisam passar por um verdadeiro processo de adestramento. Já que as auto escolas não têm feito isso, que façamos nós mesmos então!


Prefeitura de SP bate na mesma tecla para solucionar poluição

abril 20, 2011

Por meio de um Decreto chamado Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV) publicado no Diário Oficial de ontem, Prefeitura de São Paulo bate na mesma tecla da fluidez dos transportes motorizados.

O documento tem dados interessantíssimos. E a pauta de suma importância: reduzir a poluição sonora e atmosférica de São Paulo com base naquilo que mais causa ruído e doenças respiratórias – o transporte motorizado. Inicialmente a ideia parece incrível, mas quando se lê quais são as propostas, que tristeza…

Lógica óbvia de eficiência energética em transporte

 

Parece que a Prefeitura de São Paulo bate na mesma tecla quando se fala em estratégia para reduzir a poluição de São Paulo. Algumas soluções “inteligentes” que surgiram:

– Planejamento do uso do solo e adoção de técnicas modernas e sistemas inteligentes para o gerenciamento do tráfego de veículos e fluidez do trânsito: Esse nome bonito dado a uma das estratégias se resume a sincronização de semáforos, câmeras e radares e fluidez do tráfego. A visão do planejador paulistano é de que estes fatores irão fazer com que a fluidez de tráfego aumente e, portanto, se reduzirá a poluição veicular. #FAIL

Programa de Restrição ao Trânsito de Veículos Automotores no Município de São Paulo: Esta estratégia foi, provavelmente, o que me chamou a atenção para ler o Diário Oficial. No DESTAK de hoje apareceu uma notícia falando deste plano (PCPV) e dizia que haveria restrição veicular em algumas zonas para evitar poluição sonora e atmosférica. Na hora achei a proposta inovadora e me recordou das Low Emission Zones, programa de Zonas de Baixa Emissão na cidade de Berlin, Alemanha. Quando fui ler no Diário Oficial, ficou mais claro e ridículo. Este tal “programa de restrição” é basicamente a incorporação do rodízio como solução para os dois tipos de poluição. Além de ser uma medida irrisória e que tem se demonstrado ineficiente, utilizaram uma medida que já está em prática para um plano ainda a ser implementado. Tudo indica que este plano está sendo maquiado por iniciativas que já vem sendo insistivamente utilizadas, com pouco resultado. #FAIL

Por fim, vários outros capítulos demonstram que, mesmo antes de sancionado, este plano já se demonstra um repeteco da típica política tradicional. Mas também, na altura do campeonato, o que era de se esperar. Afinal, se já está difícil acreditar nas pessoas, o que dizer dos políticos. Nos resta continuar pedalando e esperar o colaspo da cidade. Neste dia, estarei com um sorrisão na cara, pedalando livremente! 

Para ver o Plano completo, clique nos links abaixo:


Campus Aberto

março 1, 2011

Quando estudei em Piracicaba era muito comum organizarmos esquemas de carona até a Universidade. Como ela ficava afastada da cidade era muito comum alguém da classe que tinha carro oferecer caronas e em troca rachávamos as despesas com combustível. Outras vezes, quando queríamos ir embora mais cedo, fazíamos o tradicional “dedão”, que era ficar na rotatória da Universidade com o dedão apontado, pedindo uma carona. O máximo que esperei foi uns cinco minutos, e olhe lá.

Estudantes universitários tem a cabeça mais aberta. Não ficam muito naquela encanação de que dar carona pode ser muito perigoso. Oras bolas, estudamos na mesma universidade, compartilhamos ao longo de quatro, cinco ou até seis anos o mesmo espaço, as vezes a mesma sala. O que temd e perigoso nisso daí?! No mais, quando estamos na faculdade, refletimos mais, sonhamos em mudar o mundo, acreditamos em novas possibilidades de vida, de desenvolvimento…

Com essa filosofia que várias instituições de São Paulo, em parceria com 14 Universidades da capital paulista, criaram o Campus Aberto: uma plataforma de compartilhamento de carona entre estudantes de uma mesma universidade. Os estudantes ainda têm a opção de combinarem de irem juntos pedalando até a faculdade ou até mesmo de racharem um táxi.

O site é bem simples. O estudante se cadastra, coloca dados como número de matrícula, curso, sala em que estuda, endereço de partida e se quer dar ou receber caronas, se quer ir de bike, enfim. Na sequência ele já consegue ver os outros cadastrados que estão na mesma rota. Está feita a apresentação. Daí em diante é só trocarem e-mails e virarem bons e velhos companheiros no trânsito maluco da paulicéia desvairada. Já que temos que enfrentá-lo, que seja bem acompanhado, não é mesmo?!

Para saber quais são as Universidades participantes do Campus Aberto, acesse: http://www.campusaberto.com.br/


Onde você amarra sua magrela?

maio 3, 2010

São Paulo está aumentando cada vez mais o número de ciclistas nas ruas, mas não podemos dizer que a estrutura para esse público está aumentando em igual proporção. Com essa reflexão que surgiu o blog Bikeamigo, uma campanha para mostrar a falta de bicicletários e paraciclos para estacionar as magrelas nas ruas de São Paulo.

Rua Haddock Lobo c/ Paulista

Mas não devemos apenas criticar… Ao mesmo tempo, um monte de estabelecimentos tem se demonstrado amigos do ciclista e, portanto, merecem atenção. O blog também busca mostrar estes locais.

Restaurante Vegetariano na Rua Haddock Lobo c/ Antonio Carlos

Restaurante Vegetariano na Rua Haddock Lobo c/ Antonio Carlos

Participe da campanha mandando fotos das “magrelas” que você vê parada por aí, adequada ou inadequadamente.
Envie sua foto com a descrição do lugar para: contato@greenmobility.com.br