Foi para isso que eu vim…

Vim para São Paulo de mala, cuia, colchão, geladeira em fogão no começo de 2008. Vim para atuar como jornalista. Deixei para trás  Piracicaba, a cidade onde estudei e morei por 5 anos, com um rio maravilhoso que deixou saudades (o Rio de Lágrimas, da música de Tião Carreiro). Mas era aqui que as coisas aconteciam. Oportunidades de trabalho, de continuar estudando, de conhecer mais gente… olhei para a frente e vim.

Nos primeiros três anos atuei como assessora de comunicação da secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Com fases boas e ruins, foi lá que aprendi muito do que eu sei da área ambiental ate hoje. Gostei tanto que acabei me especializando em Educação Ambiental (e em bicicletas!). Causei minhas micro-revoluções e mais uma vez resolvi olhar para a frente e seguir novos rumos.

Por cinco meses viajei pelo Brasil produzindo guias de turismo e voltei decidida a continuar em São Paulo somente se fosse para trabalhar em algo muito legal e muito transformado. E em menos de um mês eu já estava na sala colorida da Viração Educomunicação, trabalhando com adolescentes e jovens na luta pelo direito humano à comunicação. Lá eu posso dizer que tive os momentos pessoas e profissionais mais profundos, intensos e transformadores da minha vida. Trabalhei com pessoas incríveis e extremamente humanas e arrisco dizer que ficaria lá por muito tempo. Mas, um belo dia de janeiro, um e-mail aparece assim na minha conta: “Evelyn, como você está? Topa um café? Tenho uma proposta (decente) para te fazer.”

Marcamos o café. Lá estava o Daniel Guth (autor do e-mail) e o Jorge Grinspum, diretor do Instituto Parada Vital, esse que administra os bicicletários do metrô. Na hora percebi que o café era coisa séria. E foi! Basicamente a conversa foi assim: “a prefeitura de São Paulo tem um projeto de levar esse ano 4.600 crianças para usarem a bicicleta como meio de transporte no trajeto casa-escola-casa. São muitas coisas, muitos detalhes e precisamos de alguém para coordenar isso. Não vem outro nome em mente se não o seu. Você quer?!!”

[Silêncio]

Fiquei em um silêncio que durou alguns dias de conversas com pessoas próximas e reflexões. Eu amava o que eu estava fazendo na Viração, mas via cair no meu colo um projeto que, para mim, é um verdadeiro sonho. E foi durante a cobertura do Fórum Social Temático, na companhia de jovens cheios de energias maravilhosas de todo o Brasil, que eu decidi aceitar a proposta.

Desde fevereiro sou coordenadora do Programa Escolas de Bicicleta, que ainda vai dar muito o que falar – e espero que muita coisa boa! São muitos detalhes: desde a produção de 4.600 bicicletas de bambu até a formação e capacitação de 92 monitores e 4.600 alunos da rede pública de ensino. É tudo muito lindo e mais ainda quando começa a sair do papel.

Esse mês já estamos na fase de capacitação dos monitores que vão formar as crianças e pedalar com elas. Uma galera jovem, animada e que promete fazer um trabalho muito bacana nas escolas participantes do projeto.

… e para quem chegou em São Paulo para ser mais uma jornalista da Paulicéia… agora eu acho que começo a entender para que eu vim!

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5 Responses to Foi para isso que eu vim…

  1. andersonra disse:

    Oi Evelyn
    Ess projeto é fantástico e saber q existem pessoas serias e comprometidas com a cidade como vc me deixa ainda mais orgulhoso de morar aqui :-))
    Toda sorte do mundo nessa empreitada!!

  2. julianareis20 disse:

    Querida Evelyn, como fico feliz em saber notícias das boas sobre vc. Ainda vou ouvir e ver muita história sobre sua trajetória em São Paulo e pelo mundo…
    Sempre me inspirando…Parabéns por mais essa conquista! abraço com saudade :)

  3. Cleide Araripe disse:

    Filha amada,
    Sabes a que veio? Antes de ser feliz, foi para fazer pessoas felizes. Não importa se na cidade ou lugar distante, sempre levou felicidade aos que convivem com você. Amamos sua vida. Amamos tudo o que realiza!

  4. Lou disse:

    Parabéns, Evelyn!
    Grande responsa, hein?! Que haja poucas pedras no projeto de abrir caminhos alternativos em São Paulo.

  5. Inspiradora Evelyn

    Fico sempre pensando isso, que é uma questão de tempo para que os sonhadores estejam mais perto das engrenagens do sistema. Uma infiltração lenta e progressiva.

    Me deixou muito contente tudo isso.

    Parabéns.

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