Fechando o ano com uma cicloviagem

Já fazia um bom tempo que morríamos de vontade de pedalar pelas ilhas do sul de São Paulo e norte do Paraná: Ilha do Cardoso, Superagui, Ilha do Mel… e depois seguir por terra em Paranaguá, Morretes e chegar de trem, pela Serra do Mar, em Curitiba. Mas, incrível como sempre acontecia um imprevisto enquanto planejávamos essa viagem.

Lá para meados de novembro tivemos a certeza de que teríamos a folga de uma semana no final do ano. Claro, que de pronto, resolvemos viajar. Pesquisamos vários lugares para ir de avião, de ônibus, de bike… mas nem cogitamos as ilhas que tanto planejamos! Mas, bastou uma conversa com os amigos Laurinha e Bruno Gola que as ilhas voltaram à pauta.

Agora, com companhia, a viagem tinha que dar certo. A Laurinha ainda mobilizou mais pessoas até que 12 confirmaram! Sim, seríamos 12 ciclistas viajando e acampando juntos.

No final, fomos em 10, porque sempre tem os amigos furões (né Ian?!).

Pegamos um ônibus para Cananéia no dia 25 de dezembro. Chegamos no final do dia, com chuva. Dormimos lá para nos prepararmos para o próximo dia, quando o pedal começaria de fato!

26 de dezembro – Cananéia – Ilha do Cardoso

Acordamos cedo para pegar o barco para a Ilha do Cardoso. As opções são muitas: de voadeiras que levam menos de 2 horas para chegar na Ilha do Cardoso até a balsa da Dersa que leva quase 4 horas para chegar. No entanto, como éramos em 10 pessoas e 10 bicicletas, a balsa da Dersa pareceu a melhor opção, já que é grande. Em voadeiras, teríamos que contratar várias para transportar todos nós e ficaria muito caro. As escunas, um pouco mais rápidas e também espaçosas, eram caras. Optamos pela balsa.

Na escuna de Cananéia para a Ilha do Cardoso

No entanto, ao chegarmos na balsa, tivemos a triste notícia de que ela sairia somente às 13h (haviam nos informado que era às 8h!). Mas, aí descobrimos uma espécie de escuna de linha, que sai de hora em hora e ainda era mais barato. A balsa custaria R$54. A escuna custou R$30 mais R$5 das bicicletas. E fomos nela!

Saímos às 9h30 e chegamos na Ilha do Cardoso por volta das 12h30. O trajeto é lindo e se você tiver sorte ainda verá alguns botos que saltam alegres pelas águas limpas do Vale do Ribeira.

A escuna deixa os visitantes no vilarejo de Marujá, a parte mais habitada da Ilha do Cardoso. De lá, pedalamos uns 20km até a ponta da ilha, o chamado Pontal do Leste. O lugar é um simples, bem cuidado e organizado vilarejo de pescadores. Acampamos no quintal de um deles, o seu Zé Roberto, que tinha até chuveiro a gás para tomarmos banho quentinho.

Na Ilha do Cardoso os moradores podem receber até cinco barracas em seu quintal. E nós estávamos exatamente em cinco barracas!

27 de dezembro – Ilha do  Cardoso – Superagui

No dia anterior, conhecemos um pescador do vilarejo de Pontal do Leste que topou nos atravessar de barco para a ilha de Superagui, já no Paraná. Ele cobrou R$10 por pessoa (com a bicicleta) e nos deixou do outro lado. O trajeto é bem rápido, não chega a 15 minutos.

Já no Superagui, pedalamos quase 40 km para chegarmos ao vilarejo com o mesmo nome da ilha. Chegamos cedo, em horário de almoço, e pudemos bater um P.F. com direito a atendente mau humorado (vê se pode, num paraíso daqueles, o cara de mau humo!). Mas, nem um atendimento ruim com esses paulistanos exigentes poderia acabar com a nossa alegria. Afinal, estávamos no paraíso, o maior remanescente de Mata Atlântica do país, sem carros por perto, sem sinal de celular, de férias… quer vida melhor?

Pedal de mais de 40 km pela praia em Superagui

Nesse dia ficamos acampados no camping do “seo” Osni, que no dia seguinte atravessou a gente de barco para a Ilha do Mel.

28 de dezembro – Superagui – Ilha do Mel

Quem faz essa rota que fizemos, costuma antes de ir para a Ilha do Mel pedalar pela Ilha das Peças. Mas, estava chovendo muito, não estava fácil conseguir pescadores afim de nos atravessar de barco, então preferimos aproveitar que o “seu” Osni estava indo para Paranaguá e pegarmos uma carona (de R$10 por pessoa com bicicleta!) no barco dele.

A viagem de barco, que durou quase 1 hora, foi pura adrenalina. Chovia muito, o barco balançava bastante, mas o “seu” Osni garantia que o amr estava até que tranquilo. Atracar na praia de Fortaleza é que foi difícil. O barco teve que dar algumas voltas e manobradas e tivemos que descer em um ponto que a água dava na nossa cintura (ou na minha cintura, já que sou baixinha!).

Pedal com muita chuva na Praia da  Fortaleza - Ilha do Mel

Pedal com muita chuva na Praia da Fortaleza - Ilha do Mel

Da praia de Fortaleza, pedalamos nem 15 km até o vilarejo de Brasília. Ainda que pareça pouco, foram os 15 km mais puxados da viagem, debaixo de uma mega chuva e vento contra! e lá fomos direto comer o super P.F. do bar do Davi. Com R$14 faturamos um pratão gigante com muita comida… e ainda rolava uma cachacinha “de grátis” para nos esquentarmos após o chuvão.

Difícil mesmo foi conseguir lugar para ficar. Tudo estava lotado, as pessoas já chegavam com pacotes fechados para o réveillon. Mas, o super Albert, conseguiu achar um chalé incrível com 9 camas para passarmos a noite. Foi a nossa salvação… e ainda tivemos banho quente!

29 de dezembro – Ilha do Mel – Paranaguá – Morretes

Acordamos bem cedo para pegar o barco para Paranaguá. Na Ilha do Mel a maioria das opções de barco são para Pontal do Sul, a 40 km de Paranaguá. Como seguiríamos pedalando até Morretes, pegamos o barco para Paranaguá, que tem apenas três opções de horário pela manhã e três opções a tarde. O rolê de barco até Paranaguá também é bem mais demorado. Enquanto Ilha do Mel – Pontal dá uns 30 minutos, Ilha do Mel – Paranaguá dá quase duas horas.

No aconchegante porto de Paranaguá

O bacana é que o mini porto de Paranaguá, onde os barcos da Ilha do Mel atracam, fica em pleno Centro Histórico, que é bem bonito. Aproveitamos para tomar café da manhã no Mercado Municipal de Paranaguá. Abastecidos, seguimos pedalando quase 60 km até chegar na pequena, linda e histórica Morretes.

Em Morretes, o grupo resolveu almoçar e já seguir de trem para Curitiba. Eu e o João preferimos ficar. A cidade é muito fofa, cortada por um rio maravilhoso, cheia de trilhas e cachoeiras. Sem contar o Centro Histórico bem conservado, com casarões, restaurantes, cafés… ficamos e aproveitamos bastante!

30 de dezembro – Morretes – Curitiba – São Paulo

Pela manhã, aproveitamos o sol e saímos para pedalar pelas estradinhas de terra de Morretes. Tomamos banho de rio e lavamos a alma para começar 2012.

Depois de dias almoçando P.F. e jantando no camping, nos permitimos um almoço super chique e delicioso em um restaurante à beira do rio. O local tinha até rede para um cochilo gostoso após comermos e bebermos um montão! De lá seguimos para a estação ferroviária, de onde parte o trem turístico que sobe a Serra do Mar por um caminho lindo e mirabolante até a capital paranaense, Curitiba.

No trem é possível levar a bicicleta, desde que se pague uma taxa para ela de R$7,50. A bike vai em um vagão especial, enquanto nós vamos num vagão com lanche e guia que vai contando a história da ferrovia. O passeio é um pouco caro (a passagem que escolhemos era R$50 por pessoa, sem contar as bicicletas) e demorado (3h30 de viagem), mas vale pelo visual!

De dentro do expresso turístico que vai de Morretes a Curitiba

Chegamos em Curitiba às 18h30 e já compramos passagem de volta para São Paulo às 22h40. A ferroviária de Curitiba fica junto com a rodoviária, então comprar a passagem foi fácil e rápido.

Como tínhamos tempo, aproveitamos para dar uma volta de bike pela capital parananense, que é linda. Uma pena que o tempo estava hiper fechado e no final tomamos uma mega chuva chata que nos fez voltar para casa molhados!

Chegamos de volta em São Paulo às 4h40 da manhã. A cidade nos recebeu sem chuva (UFA) o que fez o pedal pelo centrão com o dia amanhecendo ser bem bonito!

Fechamos, ou não fechamos, o ano com uma cicloviagem de ouro?!

[Algumas fotos destaque da viagem]:

Mini-porto de Cananéia

Mini-porto de Cananéia

Bikes na escuna de Cananéia para Ilha do Cardoso

Bikes na escuna de Cananéia para Ilha do Cardoso

Trilhazinha na Ilha do Cardoso

Trilhazinha na Ilha do Cardoso

No barquinho da Ilha do Cardoso pra Superagui

No barquinho da Ilha do Cardoso pra Superagui

Fósseis de baleia que encontramos em Superagui

Fósseis de baleia que encontramos em Superagui

Mais bike+barco de Superagui até Ilha do Mel

Mais bike+barco de Superagui até Ilha do Mel

Praia do Farol e da Fortaleza - Ilha do Mel

Praia do Farol e da Fortaleza - Ilha do Mel

Trupe da cicloviagem!

Trupe da cicloviagem!

Garganta do Diabo no caminho pra Curitiba

Garganta do Diabo no caminho pra Curitiba

 

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12 Responses to Fechando o ano com uma cicloviagem

  1. Bruno Gola disse:

    Eeeeee \o/

  2. Daiani Mistieri disse:

    \o/
    adorei!

  3. casalrante disse:

    Poxa, poderiam ter jantado aqui em casa na sexta, né???? :) Da próxima venham com mais tempo e não deixem de vir aqui!!!!
    Saudades!!!
    bjão

  4. Olá

    Voltei a pedalar a uns 6 meses, e nesse período tenho fuçado bastante na net, em busca de assuntos que envolvem nossas bikes

    Já li diversos relatos de viagens, uma melhor que a outra, mas essa viagem que fizeram por Cananéia até Curitiba, sinceramente foi MARAVILHOSA

    Parabéns a vocês

    Será que poderiam me enviar o roteiro dessa viagem, pois pretendo fazê-la com amigos

    Meu e-mail é alvaro.sancao@uol.com.br

    Grato

    Alvaro Sanção

  5. jaco chagas disse:

    Puxa que relato fantástico!!!!! eu e meu amigo Ricardo Pioto fizemos agora no carnaval Pegamos um Onibus até de São Paulo a Curitiba e partimos rumo a Iguape descendo pela serra da graciosa, Antonina, Morretes, Paranaguá, Superagui, Cardoso, Ilha Comprida e Iguape. Foi inesquecível, quando forem viajar por favor me avisem um forte abraço

  6. diegobtu disse:

    Opa! Lendo! Abração!

  7. Klunker Leo disse:

    Rapaz, eu e a minha mina fomos pra la dezembro agora, mas tivemos que abortar o role por conta das chuvas. Mas ae, o teu relato é muito bom! Se marcar to indo pra la agora no fim do ano de novo pra completar a missão. Valeu!

  8. Luana disse:

    Não consegui ver as fotos! Mas relato, foi possivel imaginar uma viagem incrível. Parabéns

  9. Joao Veloso disse:

    As fotos não estão carregando! Mas o relato foi show!

  10. lucas Nunes disse:

    Vou para a ilha no próximo FDS.
    sei que a empresa de ônibus cometa aceita bike, mas de Curitiba ate a ilha o ônibus, barco ou trem aceitam transportar sem probremas?

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