A bronca moral: respeitando a faixa de pedestre

Hoje sai um pouco atrasado pro trabalho. Fiz um trajeto de bike por uma rua movimentada e com muitos semáforos. Já cansado de parar a cada esquina e ter que acelerar junto com os carros toda hora que viamos a luz verde, resolvi furar um semáforo. Olhei bem antes para ver se não tinha pedestre. Vi um senhor de idade no outro lado da faixa descendo a calçada para começar a atravessar a rua na faixa. Achei que dava pra passar, e deu, passando numa distância segura dele. Mas logo após fazer a travessia escutei, lá no fundo, a voz fraca do senhor gritando: “Olha o farol vermelho!”

Pedalei os próximos 6 quilômetros até o trabalho pensando na bronca moral do velhinho. Sei que não causei nenhum dano a ele e não o coloquei em risco, mas aí me veio o pensamento: a faixa de pedestre não serve para o pedestre atravessar com segurança? Pois é, e mesmo atravessando com distância do pedestre, como na imagem acima, isso gera uma apreensão do pedestre que fará com que ele sempre se preocupe ao atravessar uma rua. Talvez seja por isso que vejo tantos idosos atravessando correndo a rua, mesmo com o “homemzinho verde” do semáforo a sua frente.

Não digo que nunca ultrapassei semáforos vermelhos antes, até porque sempre prezo pela minha segurança e sei que avançar o semáforo, dependendo da situação, contribui para isso. No entanto, antes de zelar pela minha segurança, preciso zelar pela segurança dos pedestres, é o que diz a lei (o mais forte protege o mais fraco). E já que estamos no Brasil, podem desconsiderar a lei, mas não a realidade: ciclista que desrespeita os pedestres não pode reclamar do mesmo desrespeito que recebe dos motoristas. É a lei…

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9 Responses to A bronca moral: respeitando a faixa de pedestre

  1. Diego disse:

    Acontecimentos que nos fazem refletir né!

    Abraço

  2. Rafael disse:

    Muito bom!
    É o famoso “teto de vidro” da maioria dos ciclistas, que reproduzem injustiças enquanto protestam contra elas!

  3. Olá,

    É muito importante essa reflexão, pois infelizmente nós ciclistas estamos deixando para os pedestres a mesma imagem que temos dos carros: falta de respeito.

    Esse fds aconteceu algo parecido comigo, só que ao contrário.

    Eu parei a bicicleta para que alguns pedestres pudessem atravessar na faixa, mesmo o farol estando verde para mim, e um dos pedestres bateu palmas e me deu parabéns, dizendo que ciclista nenhum respeita pedestre.

    Se a lei diz que o mais forte deve zelar pelo mais fraco, e nós estamos lutando para que os carros zelem por nós ciclistas, não podemos esquecer também do nosso dever de zelar pelos mais fracos que nós, no caso os pedestres.

    Adoro seu blog.

    Forte abraço.

  4. moraesvt disse:

    Olá! Estou entrando agora nesse mundo da bike como meio de transporte. Desta forma, fico sempre reparando em outros ciclistas andando pelas ruas da cidade. Infelizmente, tenho visto com muita frequência ciclistas andando nas calçadas, na contramão dos carros ou passando muito próximo dos pedestres, não dando a estes a devida preferência.
    Temos um longo caminho de mudança cultural. Os motoristas tem q aprender a respeitar mais os ciclistas. Mas estes tb devem respeitar os pedestres e as leis de trânsito.
    Mas aos poucos estamos vendo as mudanças. Há cada vez mais pessoas interessadas em usar a bike como meio de transporte. Isso é bom. Há esperança!
    Abraços!

    • Willian Cruz disse:

      Idosos têm um receio grande (e compreensível) de se machucar. Uma vez, muitos anos atrás, levei uma bronca de uma velhinha porque eu pedalava na calçada, mesmo passando devagar e a dois metros dela. “Você devia estar ali!”, apontando para o asfalto.

      Eu havia subido na calçada por um pequeno trecho, para evitar uma esquina com motoristas desatentos ou algo assim, mas não importa: a preocupação dela era justa. Foi meio rápido e eu já estava saindo para a rua, então não deu tempo nem de pedir desculpas, mas lembro da carinha de assustada dela até hoje e não esqueço da bronca que levei.

      E essa bronca me fez escrever um parágrafo sobre o cuidado com os idosos como sendo um dos motivos para não pedalar nas calçadas, nas Dicas para o Ciclista Urbano lá do Vá de Bike: http://vadebike.org/2004/09/dicas-para-o-ciclista-urbano/

      Agradeçam àquela velhinha que um dia me deu bronca na calçada. E lembrem-se que as palavras que dizemos para as pessoas podem ficar na cabeça delas, num cantinho, incomodando de leve, e terem consequências muito tempo depois. Para o bem e para o mal.

      • Bruno Giorgi disse:

        Eu tenho uma ressalva quanto ao uso da calçada por ciclistas. Quando falamos que é proibido andar de bike na calçada, sempre fico imaginando os ciclistas que estão começando a usar a bike na rua e ainda não tem habilidade e agilidade para andar entre os carros, acho que devem andar na calçada sim, desde de que tomando o devido cuidado com os pedestres e não andando como loucos. Não podemos incentivar as pessoas a pedalar e já jogá-las nas ruas sem o devido preparo. Hoje ainda existem os bike anjos para ajudar, mas não é sempre que há essa opção.
        Eu mesmo quando comecei a usar a bike para alguns deslocamentos ia pela calçada por não me sentir seguro andando na rua, aos poucos fui adquirindo confiança e aprendendo alguns macetes que me possibilitaram começar a andar junto com os carros.

      • Fato Bruno! Todos começamos pela calçada, parques, etc. É ingenuidade nossa dizer que todos devem “se jogar nas ruas” logo de cara. Até mesmo no Bike Anjo, quando atendemos um pedido, temos que dar essa orientação para que, quando a pessoa não se sentir confiante sozinha, suba a calçada. Caso estiver vazia e não ser movimentada vá pedalando, se for estreita ou com muitos pedestres, vá empurrando! Boa franguinho desossado!

        JP

  5. Roberto Luz disse:

    concordo com o seu ponto de vista. Embora tenha ficado surpreendido no RJ, cidade onde muitos ciclistas usam as calçadas pra pedalar;na Lagoa,fui atingido no braço por um ciclista(todo paramentado) ele também estava na calçada e não entendeu minha reclamação e discutimos mas não o convenci que eu era um turista e pedestre; as demais pessoas também ficaram impassíveis.
    USo bicicleta pro meu trabalho 3 vezes na semana, escolhendo o percurso mais seguro e com todo o cuidado, mesmo assim sou assustado por muitos automóveis que não consideram a bike como veículo, mas como um simples brinquedo; para alguns deles pergunto: se fosse uma pedra desviaria pra não amassar o carro. Vai demorar mudar a atitude de muitos dos motoristas aqui em Brasília.

    Torço por isso.

    Roberto Luz

  6. Luciano Santos disse:

    Parabéns pelo texto

    Queremos respeito mas não podemos esquecer de respeitar os outros ….
    Sempre essa nossa preocupação com o tempo …
    Essa ansiedade pode nos levar também a um acidente.

    Mas devagar vamos melhorando .
    Teve um tempo que eu fazia isso de carro. Que vergonha!

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