A difícil arte de se chegar em Maceió com a bicicleta

Começou a minha etapa de andanças pelo Nordeste. Serão 35 dias entre Alagoas e Maranhão e dessa vez resolvi trazer a Germana comigo para fazer alguns pedais longos, como o de 100 km que farei entre Maceió e São Miguel dos Milagres. Mas, foi uma verdadeira epopéia chegar na capital alagoana com a minha querida e gigante bike alemã.

Antes de partir, entrei no site da TAM para saber os procedimentos para transportar a bike no avião. Sabia que ela era considerada bagagem comum, mas havia algumas exigências, que são: murchar o pneu, alinhar o guidão ao quadro e tirar o pedal. Cheguei no aeroporto em cima da hora. Faltava 50 minutos para o vôo. Na hora de despachar as bagagens o atendente não sabia como proceder com a bicicleta. Pediu ajuda a outro funcionário. Aí começou a novela.

O rapaz já chegou intimando: “a bicicleta precisa estar embrulhada em um plástico”.  Rebati, dizendo que não era essa a informação que constava no site da TAM. Ele continuou certo de que se eu não embrulhasse a bike, ela não seguiria viagem comigo. Pedi, então, para que ele abrisse o site da TAM e me mostrasse aonde essa informação estava escrita.

Ele saiu, voltou uns 5 minutos depois e me mostrou um papel que não era o do site. Retruquei, e ele disse que esse texto era da Infraero e esse é o procedimento padrão em todos os aeroportos. “MAS NÃO É MESMO” esbravejei. Ficamos discutindo por um bom tempo. O tempo passando, o vôo se aproximando e o rapaz pentelho insistindo que eu tinha que embalar a bike nesses sistemas bizarros de embrulho de embalagem. Ele ainda argumentou que o site não é o único canal de comunicação com o cliente e que eu não deveria usar apenas o site para me informar! Resumindo: o site da TAM é uma porcaria, não serve para nada e “ALÔ CLIENTES DA TAM: NUNCA CONFIEM NO SITE DELES!!!!”.

Foi aí que eu disse: “eu só embrulho a bike se você assinar um termo dizendo que eu preciso fazer isso, pois depois vou reclamar na justiça”. Ele negou, óbvio! Então pedi que a supervisora dele assinasse. Ele disse “ela não vai assinar”. E eu só respondi: “chama ela aqui então!!!!”. Ele saiu todo bravinho, dizendo algo do tipo “Quer falar com a minha supervisora? Então eu vou chamar”.

E chamou! E o diálogo com a supervisora foi o seguinte:

Supervisora: “A bicicleta está com pneu murcho, guidão alinhado e sem os pedais”

Eu: Sim!

Supervisora: Então podem despachar!

O atendente e o pentelho que sismava que a minha bike não iria, ficaram de cara no chão. O implicante saiu pianinho, sumiu do mapa, para não reconhecer que estava errado e me pedir desculpas. O atendente despachou tudo rapidinho, se desculpando e me apressando, pois o embarque já estava na última chamada.

Mal tive tempo para me despedir do João. Embarquei correndo e quando eu estava entrando na aeronave o João me ligou, lembrando que na correria o kit de chave allen ficou com ele. Como que eu iria colocar o guidão no lugar quando chegasse em Maceió?! O João ainda tentou pedir para me entregarem o kit na aeronave, mas adivinha quem atendeu ele?!!!! O implicante!

Óbvio que ele não aceitou se esforçar um pouco para que a chave allen chegasse nas minhas mãos. E o vôo decolou 50 minutos atrasado. Ou seja, tempo dava de sobra para eles darem um jeito da chave chegar  na aeronave.

Foram quase três horas de vôo e eu tensa o tempo todo, me perguntando como eu faria quando chegasse no aeroporto às 2h30 da manhã? Como estaria a minha bike, que foi despachada depois de uma chata discussão? Não consegui pregar os olhos.

Por sorte, quando cheguei, abri a minha bagagem e havia uma chavinha solta que coube perfeitamente no guidão. A minha chave 15, para ajustar o pedal, foi presa na bike e se perdeu no caminho. Mais um motivo para ficar nervosa. Mas por sorte outra vez, havia uma reserva e consegui encaixar o pedal!

Daí foi só encher os pneus e seguir pedalando madrugada a dentro. O aeroporto fica a 25 km da cidade. Me perdi a beça e girei o pedal por 40 km até achar o meu albergue! Cheguei eram quase 5 da manhã! Estava um bagaço de cansada. Peguei a chave do quarto coletivo e fui corredno guardar as minhas coisas, para tomar um belo banho e dormir um pouco. Mas, adivinhem: o quarto estava lotado!!!! Aí foi um rolo só. Por fim, me colocaram em um quarto privativo até que vagasse o outro quarto.

Agora já estou no quarto coletivo e conhecendo a capital de Alagoas com a Germana. Hoje pedalei 50 km (ida e volta) para ir à linda praia de Ipioca. Amanhã vou pedalar a noite com uma galera da Bicicletada de Maceió e sabadão é a vez dos 100 km de pedaladas pela AL-101.

Depois de toda essa tempestade, até que enfim estou na bonança com muito sol e praia! Vamos ver o próximo vôo…

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15 Responses to A difícil arte de se chegar em Maceió com a bicicleta

  1. Cleide disse:

    …e, dá-lhe dona Lyn brigando novamente pelos seus direitos. Super garota!
    Beijos. Muitas saudades, filhota.

  2. jum disse:

    ja viajei pela TAM transportando bike também, e foi bem mais tranquilo. eu liguei antes pra ter certeza do procedimento, vi pelo site e fui muito bem recebida na ida e na volta.
    acho que na verdade você so deu muito azar de ter encontrado esse sujeito pelo caminho. mas ao que tudo indica a TAM é das que menos causam problemas pra fazer esse transporte, e não acho que você deveria seguir com a impressão de que o serviço deles é ruim. Na verdade eles não criam problema nenhum.
    gente grossa e mal educada e mau humorada tem em qualquer lugar. e se a TAM tem alguma culpa é por ter contratado um trolha que não sabe dialogar.
    mas enfim
    BOA VIAGEM!
    beeejo

    • Entendo, JuM. E sei que isso não acontece com todos e que a TAM pode prestar um bom serviço.
      E o fato deles terem um funcionário assim é culpa da empresa, sim. Todos os outros funcionários que estavam ao redor dele estavam do lado dele. Aí quando apareceu a supervisora que todo mundo ficou quietinho… O cara do check-in depois admitiu (falou baixinho) que era a primeira semana dele e não sabia como fazia para despachar bicicleta e foi na onda do funcionário folgado! Ou seja, eles não são treinados para isso.
      Então o problema, JuM, é que se não mostrarmos a relevância deste assunto, a empresa não vai treinar seus funcionários adequadamente para lidar com esta situação e vários outros ciclistas vão ter problemas como nós. Imagina você chegar às 2h da manhã sem ferramentas pra montar a bike depois desse estresse todo?? Sorte que deu certo, mas poderia ter dado muito mais prejuizo…

      E outra, mesmo ligando pode não adiantar, pq a pessoa que te atendeu não é a mesma que vai estar no balcão na hora do check-in.
      Enfim, acho importante divulgar o relato e mostrar os dois lados da moeda.
      Valeu pelo comentário!
      Beijão
      JP

  3. iramaia disse:

    Cara, que texto corrido, maravilhoso e fantástico de se ler… li, vibrei, vivi e convivi com isso!! Vou passar pra todo mundo… Tam que se cuide!!!! Vou publicar no blog… vamos ver a força que o pedal tem!!!
    beijos
    maia

  4. disse:

    Querida amiga,

    Um dia você passou o link do seu blog e desde então sempre o visito e decidir entrar hoje porque imaginei que você havia atualizado as novidades!
    Estou muito feliz por você! Conte mais histórias!
    Estou com saudades.
    Fica com Deus. Te amo!
    Beijos da eterna amiga Dê.

  5. Paulo Fernando Teixeira disse:

    Evelyn passamos por esse mesmo “aperreio” recentemente quando embarcamos para o Uruguai pela mesma TAM. Muitos funcionários desconhecem as normas da própria empresa acarretando com isso “arranhões” numa imagem que já não muito boa. Mas como isso já é passado, pedale e ….

  6. Thi disse:

    Lyn, acho que a TAM tá se esforçando em contribuir com aquele seu plano de Dar a volta ao mundo heim?!
    Não importa se o atendimento e serviço de modo geral é bom. Esse funcionário mala É o representante da empresa naquele momento e sendo ele um problema, logo a empresa se torna um problema. Portanto a responsabilidade é total da TAM, que deve orientar e qualificar seus colaboradores/funcionários. É muito melhor investir pesado em treinamento profissional do que arcar com processos, pena que as empresas descobrem isso tarde demais…

    Parabens, continue botando a boca no trombone!!!!
    Beijao e um chêro!

  7. Lou disse:

    Mas já? E eu aqui, esperando ler sobre as aventuras no Monte Roraima…

  8. […] A difícil arte de se chegar em Maceió com a bicicleta conta a saga da querida Evelyn para conseguir embarcar a Germana no vôo da Tam para o nordeste. […]

  9. Evelyna e JP. Vamos refletir juntos?

    – Primeiro, não foi azar e sim falta de sorte de aparecer um funcionário despreparado e mal educado. Azar é muito forte, então para ter um eufemismo, prefira falta de sorte. Aprendi com minha avó, hehe.
    – Infelizmente no Brasil existe o termo criado pela Falzoni chamado de bikefobia. Portanto, temos que estar preparados para todas as situações possíveis.
    – Por isso nunca chegue num voo interestadual faltando 50 minutos para o embarque, ainda mais com um bicicleta para ser despachada. Pois pode aparecer um funcionário despreparado e atrasar tudo.
    – Se possível leve impresso a parte do site da TAM que diz as regras de despacho de bicicletas. Não esqueça de imprimir a página inteira, com logo da TAM.
    – Quando for despachar a bike, não deixe nenhum acessório presa nela; bombas de ar, ferramentas, farois, tudo que pode soltar, leve com você.
    – Por isso é importante planejar bem antes. Isso é em qualquer viagem e temos que estar prontos para os imprevistos. Cicloturismo, mochilão, viagens vips, todos os tipos de viagens devem existir o planejamento.
    – Sobre o problema com o funcionário, mande e-mail para a ouvidoria da TAM, e sugiro uma reclamação na ANAC. Mas não focando no lance da bicicleta e sim na falta de treinamento e preparo do funcionário.

    Já tive problemas com a TAM e também já tive ótimas histórias. Infelizmente o serviço aéreo brasileiro é de péssima qualidade e ficamos a mercê deles.

    Mas com organização e diálogo, tudo se resolve.

    PS.: Evelyna, acho que está na hora de você comprar um GPS.

    Beijos e abraços,

    • Hahahahaha Aragon, só você mesmo!
      Mas, olha só, a chegada em cima da hora foi porque resolvemos ir de carro… aí já viu! hhehehehe

      Já registrei uma reclamação no site da TAM. E adivinhe: nada de resposta=(

      E o GPS… você acha que eu vou conseguir entender como um funciona???!!!!! Aff…

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