Enquanto isso… Rota Marcia Prado 2010

Enquanto a Evelyn está se aventurando pelo surpreendente estado do Acre, fui me aventurar na 2a edição da Rota Marcia Prado neste Sábado. Sabia do sucesso que tinha sido no ano passado e já tinha falhado em várias tentativas de descer para Santos de bike dada a falta de tempo. Ocasião melhor não havia…

Mesmo antes de fazer a rota já estava impressionado com a ampla mobilização das pessoas para irem juntas para o passeio. Eram vários “bondes” saindo de todos os cantos da cidade e eu ainda não sabia direito como faria para ir até a Estação Grajaú da CPTM, ponto de partida do trajeto. Foi quando recebi um e-mail de alguns amigos que conhecia da pedalada pela Serra da Graciosa em Curitiba e da Bicicletada, além dos amigos dos amigos que foram entrando no bonde. Após vários e-mails, que já indicavam como ía ser engraçado pedalar com este grupo, ficou combinado: 06h30 na estação Cidade Universitária da CPTM.

Concentração na passarela da est. Cidade Universitária

Concentração na passarela da est. Cidade Universitária

Com a chegada de todos entramos na estação de trem e logo de cara lido com a boa organização do evento e da CPTM. Haviam guardas nas plataformas distribuindo os ciclistas em diferentes vagões para não ficar saturado e dificultar o tráfego de pessoas. Definitivamente a CPTM estava do nosso lado…

Cerca das 08h00 chegamos na estação Grajaú e fomos recebido pelos voluntários do Instituto CicloBr para dar algumas dicas sobre a rota. A quantidade de ciclistas já era expressiva neste ponto.

Avenida movimentada logo na saída da est. Grajaú

Avenida movimentada logo na saída da est. Grajaú

Como toda cicloviagem, o início tem que ter fortes emoções para “testar” o cicloturista. Após entrarmos em uma avenida movimentada e com muitas subidas – ótimo aquecimento para o que iriamos encarar pela frente – visualizamos a primeira placa da rota Marcia Prado indicando um desvio. Em menos de um minuto já estavamos em uma área com muita vegetação e vilarejos, com menor fluxo de carros, logo menos barulho. Este choque de paisagens e cenários rendeu boas reflexões nos próximos quilômetros até chegar à primeira balsa para a Ilha do Bororé.

Aguardando a balsa para a Ilha do Bororé

Aguardando a balsa para a Ilha do Bororé

O percurso da Ilha do Bororé foi bem tranquilo e com muita vegetação e antigas construções, sendo a igreja da ilha a que mais chamou atenção. Em pouco tempo já estavamos na segunda balsa, desta vez com muito mais ciclistas.

Este trecho após a segunda balsa nos levaria até a Imigrantes, porém foi sofrido. Muitas subidas e lama me deu a impressão de ter sido o trecho mais difícil da rota. Neste caminho um carro nos parou e sugeriu tomarmos cuidado com roubo neste trecho. Embora ficamos mais cautelosos, não senti perigo algum.

A “estrada de lama” nos levou até um viaduto da Imigrantes, onde tinha uma tenda do Instituto CicloBr com um voluntário. Para minha surpresa era o Antônio, grande amigo cicloturista e personagem do Felizcidadefeliz.

Concentração com o voluntário do Instituto CicloBr, Antônio, para entrar na Imigrantes

Concentração com o voluntário do Instituto CicloBr, Antônio, para entrar na Imigrantes

A polícia rodoviária estava limitando a entrada na Imigrantes, dizendo que teriamos que ser escoltados até a entrada da Estrada da Manutenção. Um pouco de exagero, mas que de certa forma deu mais segurança dada a grande quantidade de ciclistas que ali chegava. Este trajeto pela Imigrantes foi curto e muito divertido. A polícia conseguiu nos acompanhar até certo ponto. Depois, as descidas ajudaram a pegar o embalo e chegar rapidinho na entrada da Estrada da Manutenção.

Pedalando pela Imigrantes

Pedalando pela Imigrantes

O pessoal do Instituto CicloBr demonstrou ótima organização na entrada da Estrada da Manutenção. Haviam vários voluntários fazendo cadastro dos ciclistas, outros dando palestras sobre a rota e as dificuldades que enfrentariamos. Haviam camisetas e lanches para comprar, e ainda consegui água para encher minha caramanhola.

Entramos na estrada e logo vimos que ía ser um percurso difícil por conta do limo, o que tornou o asfalto muito escorregadio e acabou ocasionando em um pequeno acidente com nosso amigo Fernando. Mesmo com o acidente não teve como não se impressionar com as belas paisagens.

Começo da estrada da Manutenção, embaixo da Imigrantes

Começo da estrada da Manutenção, embaixo da Imigrantes

Kiabin estacionada aproveitando a paisagem

Kiabin estacionada aproveitando a paisagem

Primeira vista para a praia

Primeira vista para a praia

Embora não podia entrar, a cachoeira principal da estrada rendeu boas fotos

Embora não podia entrar, a cachoeira principal da estrada rendeu boas fotos

Terminado o trecho da Estrada da Manutenção fizemos uma concentração pedalarmos o mais junto possível no trecho de Cubatão, que tinha ficado famosa por alguns assaltos de bicicletas na edição do ano passado. Mesmo com a preocupação na cabeça, não sentimos nenhum momento de perigo ou olhares estranhos na região.

De volta para a cidade, somos recebidos pelas enormes estruturas da Petrobrás, que valeu uma reflexão:

"Bicycling - a quiet statement against oil wars"

"Bicycling - a quiet statement against oil wars" (em português, "Pedalar - um manifesto silencioso contra as guerras do petróleo")

Atravessamos Cubatão pela rodovia de acesso à Santos, fizemos uma parada no mesmo boteco que o grupo tinha parado no ano passado (tradição é tudo!) e em menos de uma hora já estavamos na ciclovia na entrada da cidade de Santos, ficando com aquele sorriso na cara pela missão cumprida.

Túnel de acesso para os canais de Santos

Túnel de acesso para os canais de Santos

E com a chegada no canal 1 vimos de longe a concentração de ciclistas na calçada da praia para retirar o certificado da Rota Marcia Prado 2010. Após algumas conversas, já bateu a fome e a sede, que foram supridas por um momento muito descontraído, regado de cerveja, porções e risadas em uma barraca na praia.

Ciclocombustível

Ciclocombustível

Pôr do sol após muitas cervejas

Pôr do sol na praia

Céu inspirador para fotos

Céu inspirador para fotos

Com pouco mais de 80 km, a rota Marcia Prado é uma ótima opção de cicloturismo e muito próxima dos paulistanos. Nela pude fazer novas (e grandes) amizades, conhecer novas regiões de São Paulo, me aproximar da natureza e de reflexões sobre a cultura de medo e automóvel que geramos em São Paulo.

Para a rota Marcia Prado virar realidade só falta o aval da Ecovias, empresa que administra a rodovia Imigrantes e que alega que a rota não é segura. Podemos dar razão a eles a partir dos acidentes que aconteceram nesta edição da rota? Não, não acho uma boa desculpa. Primeiro pelo próprio direito de ir e vir que nos garante a legislação, especificamente do Código de Trânsito Brasileiroi. E segundo que qualquer turismo de aventura (como é reconhecido o cicloturismo por alguns órgãos) implica em um risco. Não é responsabilidade da Ecovias impedir isto, mas sim amparar o cicloturista com as ferramentas necessárias ou possíveis que auxiliem o cidadão que queira descer para Santos.

Todas minhas impressões no trajeto afirmaram que a política da Ecovias é a de mais direitos ao mais forte (carros) e de longa vida para a sociedade do medo. Sigamos combatendo isso de uma forma muito simples: pedalando!

VEJA MAIS FOTOS DA 2a EDIÇÃO DA ROTA MARCIA PRADO CLICANDO AQUI.

P.S.: Queria agradecer às ótimas companhias que tive nesta viagem e que foram peças fundamentais para uma viagem muito mais divertida do que eu esperava. São estes: Santini, Helton, Fernando, Ivan, Marcelo, Juliano e Diego. Nunca mais bebo com vocês… ha ha ha

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15 Responses to Enquanto isso… Rota Marcia Prado 2010

  1. Obrigado por tudo!

    Abraço,

  2. Helton disse:

    JP,

    Infelizmente não pude curtir o final da festa, com a bebedeira na praia (eu não curto bebida alcólica, mas tenho certeza de que ia me divertir muito com os breacos que eram gerados até a noite).
    Senti falta no seu relato de informações sobre o seu vestuário, especialmente escolhido para a ocasião, e que foi reconhecido pelo dono do boteco. Nenhuma palavra sobre sua camiseta “lilás”??? Pô, sacanagem!
    Brincadeiras à parte, obrigado pela companhia. Realmente, a viagem foi ótima, as companhias sensacionais e as risadas apareceram naturalmente.
    Um grane abraço e parabéns pelo blog e pelo post.

    • JP disse:

      Hahaha! Pô Helton, você viu que eu não coloquei nenhuma foto minha de propósito, né?
      Na verdade tem toda uma questão técnica por trás da camiseta lilás, mas que não convém explicar aqui. Um dia você vai aparecer com a mesma cor e vai me entender… hehehe

      Abração,

      JP

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Marcelo Petazoni and others. Marcelo Petazoni said: RT @danielsantini: Relato do JP da #rotamarciaprado (SP-Santos de bike) http://is.gd/j1v2P Amanhã publico o meu no @outras_vias Márcia vive! […]

  4. Evelyn Araripe disse:

    Ai que delícia e que saudades!!!!!

    Adorei as fotos. E o que é aquele guidão?! Hehe
    E quem cortou o seu cabelo?!!!

    Beijos

  5. Fernando disse:

    Fala ae, Jotalhão!

    Que rolê inesquecível…vamos todos nos lembrar dessa viagem, da parada na praia, da minha queda, e, claro, da sua camiseta.

    Belo post, parabéns!

    Companheiros de pedal, de praia e de rodoviária: valeu!

    Obs.: obrigado, JP, por postar fotos onde estou sangrando mas sorrindo! hehehe

    Abração a todos
    Fernando

    • JP disse:

      Poxa Fernando, se não fosse uma foto sorrindo eu não colocaria! hehehe. Tudo no fim fica bem e acaba sendo mais uma história pra contar pros netos!

      P.S.: A famosa camiseta já está na churrasqueira servindo de combustível do fogo. Obrigado.

      JP

  6. Ivan disse:

    Fala ae JP.
    Realmente foi INCRIVEL este passeio.
    E também foi ótimo um “mini” alleycat para chegar até a rodoviaria e chegando lá o “desespero” nosso para achar uns trocados para a pegar o ultimo onibus.
    Vamos ver se vc sabe esta: O que é, o que é – O que uma coruja tem e nenhum outro animal tem??? (Palavras do tiozinho do Bambolê) …. ahahahah
    Grande abraço a todos
    Ivan

    • JP disse:

      Hahaha! Caraca, a gente juntando grana pra pagar a passagem foi hilário!! Tenho certeza que estou devendo uns 3 pastéis pro tiozinho do quiosque, alguns reais pra quem pagou a passagem e desculpas pro pessoal do busão por ter “atiçado” o tiozinho do bambolê! O cara foi muito mala!! hahaha
      Abs,

      JP

  7. Boa JP !!!
    Obrigado pelo relato !!!

  8. […] também: fotos e relato do JP, relato do Odir, fotos do Mário Filho, e vídeo da BikeJam. Márcia […]

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