Cicloviagem – Rodovia Rio Santos

Nunca fui muito fã de ir para o litoral de São Paulo nos finais de semana ou feriados.  Não há um motivo específico para isso, até porque acho as praias brasileiras no geral muito bonitas, mas sempre me identifiquei mais com o campo e com a fuga do caos das cidades mais atrativas durante feriados, incluindo as praias. Só para ter uma ideia, este ano ainda não tinha pisado na areia!

Foi quando surgiu uma oportunidade única – de realizar uma viagem no meio da semana. Para onde ir? Como ir? Quanto gastar? Todas estas questões me fizeram decidir meu destino dois dias antes de cair na estrada. Ou seja, quase não tive tempo para planejar a viagem e por isso sabia que teria que gastar pouco e encarar as surpresas que uma viagem de bicicleta pode proporcionar.

Como iria viajar durante a semana, cogitei resgatar um sonho antigo – pedalar pela Rodovia Rio Santos, que acompanha todo o litoral, de Santos até o Rio de Janeiro. Este sonho surgiu em uma situação um pouco desesperadora. Estava à trabalho com um motorista e tinha a missão de passar por todos os municípios da Baixada Santista. Perdido, o motorista pegou a rodovia de São Paulo até Caraguatatuba, o que fez com que nos atrasassemos. Fiquei irritado e impaciente, até chegar em Caraguatatuba e entrar na Rod. Rio Santos para chegar na Baixada. Passando pela miscelânea de serras, praias e vilarejos, conclui: “um dia ainda vou pedalar por aqui”.

Sendo assim, tava decidido que iria matar a curiosidade de pedalar por essa estrada litorânea e também que deixaria essa curiosidade definir meu destino durante a viagem. Tinha cinco dias de pedal e uma ideia de chegar até Angra dos Reis.

Como encontrei poucos materiais de dicas para viajar de bicicleta por essa região, aqui buscarei relatar com o máximo de detalhes as experiências (boas e ruins) que passei. O relato a seguir contém um resumo geral da viagem e de cada dia, assim como um diário das aventuras que encarei, com dicas importantes para se preparar e pontos bacanas para conhecer, além de apresentar algumas reflexões que tive por ter sido minha primeira viagem sozinho de bicicleta.

Obs.: Coloquei em negrito algumas palavras chaves para quem busca informações específicas para praticar cicloturismo (ex: viajar sozinho, bicicleta no ônibus, pedalar em subidas íngremes, cansaço físicoXpsicológico, etc)

Praia Jd. Indaiá (Bertioga)

Praia Riviera São Lourenço (Bertioga)

Resumo da viagem:

Álbum de fotos: clique aqui
Trajeto:
São Paulo – Mogi das Cruzes de trem (expresso turístico); descida pela Rodovia Mogi Bertioga até Bertioga; Rodovia Rio Santos passando por Bertioga, São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba, Parati e Angra dos Reis, com alguns desvios nos bairros/praias maiores.
Mapa do trajeto: veja mais abaixo ou clique aqui para ver o mapa com fotos e pontos de interesse.
Condições do trajeto: Trecho de Bertioga com retas planas e acostamento, trecho de São Sebastião até Caraguatatuba com muitas serras, subidas sem acostamento e fluxo alto de carros e caminhões, trecho de Ubatuba com muitas subidas e menos fluxo de automóveis, trecho do Estado do Rio de Janeiro com menos subidas e acostamento, em sua maioria, em condições precárias.
Tempo (meteorologia): Tempo nublado durante quase todo o dia, com brisas agradáveis, e chuva muito forte a noite
Distância percorrida:
460 km (média de 92 km/dia)
Duração/Período realizado: 5 dias (Domingo até Quinta-feira – final de Setembro);
Duração sugerida:
6 dias até Angra dos Reis; 8 dias Rio Santos completa (de Santos até Rio de Janeiro)
Rotina de pedal: Geralmente começava o pedal às 06h00 e terminava às 15h00 para buscar acomodação.
Bicicleta: Caloi Montana (modelo antigo), 21 marchas, adaptada com um caixote como bagageiro e outros acessórios
Bagagem: mochila com pouca roupa (3 mudas de roupa e 5 peças de cueca+meia), 1 casaco impermeável cortavento, luvas e gorro para frio, kit de ferramentas (chaves diversas, faca, alicate, fita isolante, porcas extras, 1 câmara extra, kit remendo e 1 par de sapatas de freio), 1 livro, música, toalha de natação (alta absorção e de rápida secagem), 1 sacola com comidas (500g de granola, 200g de semente de abóbora, 200g de damasco e 200g de castanha do pará), 2 litros de água, 1 saco de dormir, 1 barraca, câmera fotográfica e bússola (não foi utilizada).
Rotina de alimentação: Pequenas refeições na hora de acordar com as minhas comidas, café da manhã lá pelas 10h00 em alguma padaria ou mercado, e almoço/janta a partir das 15h00 (após conseguir lugar para dormir)
Despesas com acomodação: R$ 0,00 – Dormi duas noites acampando em propriedade particular, uma noite em um vilarejo e uma noite no corpo de bombeiros
Despesas com alimentação: R$ 137,15
Despesas com transporte: R$ 64,72
Outras despesas (bicicletaria, presentes, etc): R$ 33,00
Despesas Total: R$ 234,87
Obs.: Dava para ter gasto bem menos, mas me dei o luxo de fazer boas refeições e comprar presentes em Parati.

 


Mapa do trajeto – Rio Santos

Obs.: O mapa contém fotos dos locais, dicas de lugares para comer, bicicletarias, corpo de bombeiros, bicas de água potável, entre outros.

 

Dia 1. São Paulo – Jd. Indaiá (Bertioga)

Resumo do dia:
Distância percorrida: 75 km
Trajeto: Trem de São Paulo (estação da Luz) até Mogi das Cruzes e descida pela Rodovia Mogi Bertioga
Condições do trajeto: Trecho de trem com boas condições, durando 40 minutos; Rodovia Mogi Bertioga praticamente só descida muito inclinada sem acostamento
Mapa do trecho: clique aqui
Duração: saída às 08h00 e chegada às 16h30
Despesas: R$ 22,70

O dia amanheceu chuvoso e sem tempo para tomar café da manhã. Sai acompanhado da Evelyn (namorida) para participarmos da inauguração do Trem expresso turístico da Estação da Luz até Mogi das Cruzes. Perdemos a saída do trem, mas pegamos um trem comum que levou um pouco mais de 1 hora devido a atrasos, mas geralmente duraria 40 minutos. A companhia da Evelyn até Mogi das Cruzes e o encontro com os amigos que tinham pego o expresso turístico foi muito bom para me acalmar para encarar esta aventura solitária nos próximos dias.

Viajar sozinho é muito diferente. Logo nos primeiros quilômetros me pegava falando sozinho, rindo dos meus pensamentos, curtindo as paisagens e não vendo ninguém em volta pra compartilhar o que via. Realmente é uma autoreflexão involuntária. Dá medo de acontecer alguma coisa e não ter ninguém de imediato para me socorrer.

 

Pico da Bica - serra Mogi Bertioga

Pico da Bica - serra Mogi Bertioga

 

Após um passeio tranquilo durante toda a manhã e começo da tarde por Mogi das Cruzes no Parque do Centenário e um lanche na Praça Oswaldo Cruz, finalmente consegui me despedir dos amigos para seguir viagem, apenas eu e minha bicicleta.

Ao descer a serra da Rod. Mogi Bertioga senti adrenalina pura!! Nem consegui pensar em frio ou em capa de chuva pra me proteger da garoazinha chata que fez. Pra aumentar a emoção, só tinha uma faixa para descer, sem acostamento. Achei que teria problema com os carros, mas por ser Domingo a grande maioria estava subindo para São Paulo. Os poucos que via quase não me alcançavam, pois consegui atingir velocidades acima dos 50 km/h, o que não era permitido para os automóveis dadas as condições da estrada. Nas retas realmente não sentia tanto perigo para bicicleta, mas nas curvas mais acentuadas freiava bastante para não perder o controle. Para se ter uma noção, fiz mais de 20 km até Bertioga em meia hora.

A chegada na Rio Santos foi sensacional, mas não por causa dela e sim pela vontade de ver a praia pela primeira vez neste ano de um jeito tão diferente. Passei reto pela famosa rodovia litorânea e entrei no distrito de Jd. Indaiá (Bertioga). Muita lama, desvios e finalmente chego na areia durinha – ótima para pedalar. Sentei na areia e comi um pouco de granola. Só serviu para cutucar a fome. Tracei um PF de manjubinha em um restaurante perto da praia por R$ 8,00. Muito bom e barato!

 

Chegando na primeira praia (Jd. Indaiá - Bertioga)

Chegando na primeira praia (Jd. Indaiá - Bertioga)

 

Como começou a chover de novo e vi que já estava muito tarde, decidi procurar lugar para dormir e começar a Rio Santos no dia seguinte.

Quando se viaja de bicicleta e está aberto para conhecer pessoas diferentes, a busca por um canto para descansar sempre traz histórias muito curiosas. Cada vez mais acredito que tem algum Santo do Cicloturismo que traz pessoas especiais (ou anjos da guarda) para te ajudar na hora que você mais precisa. Foi o que aconteceu comigo nesta noite.

A praia onde estava não tinha camping e ninguém conseguia me indicar um lugar seguro para acampar. Disseram que se eu acampasse na praia a fiscalização iria me tirar no meio da noite.

Depois de mais de meia hora buscando algum espaço, resolvi relaxar um pouco num bar, que depois lembrei que já tinha ido ali há uns quatro anos atrás. Quando entrei puxei papo com duas pessoas – a tia e seu sobrinho – que estavam no balcão e logo de cara me dispueram um quarto na casa do sobrinho. A tia (Marcia) estava um pouco bebada e falava de uns papos engraçados que a filha dela estava xavecando pelo Twitter um tal de Mario Moreira que corre na Formula Indy. Mais tarde o sobrinho (Wagner) me informou que o quarto já estava alugado. Como tava escuro comecei a ficar ansioso para achar um abrigo, mas arrisquei a ajuda da Tia Marcia, que realmente parecia estar preocupada e disposta a me ajudar.

Saimos do bar e me levou até o Estacionamento Pagé, de uns rapazes. Por sorte ela era professora da escola municipal e já tinha dado aula para todos que moravam lá. Não deu outra, consegui um abrigo coberto do lado de uma mesa de sinuca. O lugar era meio estranho, mas pude gozar de uma boa noite de sono. Já não posso dizer o mesmo na hora em que acordei…

 

Dentro da barraca a noite

Dentro da barraca a noite

 

Dia 2. Jd. Indaiá (Bertioga) – Barequeçaba (São Sebastião)

Resumo do dia:
Distância percorrida: 105 km
Trajeto: Rodovia Rio Santos direto com alguns pequenos desvios
Condições do trajeto: Trecho de Bertioga com quase 50 km no plano com acostamento em boas condições; trecho de São Sebastião com bastante serra entre as praias e com muitas paisagens do litoral.
Mapa do trecho: clique aqui
Duração: saída às 06h00 e chegada às 15h30
Despesas: R$ 41,00

Hoje o dia rendeu bastante. No começo do dia achei que ía pegar a Rio Santos só plana e poder pedalar uns 120 km, mas não foi bem assim…

Acordei no estacionamento do Pagé às 05h15. Escutei uma chuva fortíssima e vi tudo escuro. Enrolei na barraca até às 05h45, quando vi que já estava clareando. Saiu da barraca e escuto uma rosnada de cachorro! Olho em volta e vi uns 10 cachorros em cada canto do estacionamento me encarando, mas não sabia qual deles estava rosnando. Como não vi nenhum movimento ignorei o perigo e desmontei a barraca. Missão cumprida, agora bastava sair do estacionamento. Foi quando vi que maioria dos cachorros estavam bem na porta da saída. Fui empurrando a bicicleta com o capacete na mão (boa estratégia! Anotem aí). Para piorar tinha um cachorro do lado de fora que começou a puxar o latido de todos os cachorros de dentro do estacionamento. Achei que não ía mais sair de lá, quando um dos rapazes do estacionamento acordou, abriu a porta pra mim e comentou na despedida: “Poxa, não sei como você não foi atacado pelo pitbull que tem aqui”. Bom saber que a sorte estava do meu lado…

Depois de uma dose de adrenalina matinal, comecei o pedal pela Rio Santos. Duas percepções imediatas: um retão infinito e um monte de ciclistas na rodovia indo pro trabalho. O pior é que haviam várias placas indicando que era proibido bicicleta ali. Não entendi porque…

 

Primeira subida na Rod. Rio Santos (Bertioga)

Primeira subida na Rod. Rio Santos (Bertioga)

 

Pedalei quase uns 50 km no plano, entrando em algumas praias para descansar da reta (sim, pedaladas muito longas em retas cansam tanto quanto subidas). Fiquei nessa até chegar em Barra d’Una, onde conhecia melhor a região e sabia que tinha uma serra desafiadora para atravessar à Praia de Juquehy. Pra que… Dali pra frente foi só sobe e desce – uma espécie de Caminho da Fé asfaltado. O ruim é que, mesmo sendo uma Segunda-feira, tinha muito carro e caminhão, impedindo de usar a estratégia de pedalar em zigue zague. O meu limite foi entre Boiçucanga e Maresias. Era subida após subida, e no fim da curva tinha mais subida… Em compensação, a vista do topo era formidável – pude ver mais de uma praia e diversas ilhas, além de observar que estava literalmente em cima das nuvens.

Impus a meta de pedalar até às 15h. No entanto, cada praia que eu passava achava que dava pra ir um pouco mais. Aconteceu que todas as praias que eu chegava eram pequenas e residenciais, portanto não tinha onde comer. Não encontrava nem padaria. Vocês acreditam, por exemplo, que Toque Toque Grande é menor que Toque Toque Pequeno?! Que enganação! Cheguei em Guaicá, num posto da Polícia Rodoviária, que me cedeu um espaço para acampar, mas também não tinha nenhum lugar para comer. Os policiais me indicaram que pedalasse mais três quilomêtros até a próxima praia, Barequeçaba para tentar alguma coisa. Foram precisos 1,5km de subida e 1,5km de descida. No meio dessa serra tive a vista mais bonita da viagem. Um desvio no topo do morro levava a uma trilha que me deixou instigado. Larguei a bicicleta na beira da estrada e saí correndo embaixo de garoa para saber o que poderia ver no final da trilha. O lugar é fascinante! Pode-se ver a Praia de Guaíca e a Praia de Barequeçaba ao mesmo tempo. Até achei um lugar para acampar lá, mas comecei a pensar na fome que aumentava.

 

Morro entre Guaíca e Barequeçaba

Vista do morro entre Guaíca e Barequeçaba

 

 

Em Barequeçaba conversei com algumas pessoas que pouco puderam me ajudar, até conhecer o Rodrigão, um senhor aventureiro e animado que vivia em Barequeçaba há 26 anos. Disse que quando fez 60 anos teve duas opções: comprar uma bengala ou uma moto. Optou pela moto para se aventurar por aí. Figura! Com sua experiência, Rodrigão sugeriu que eu montasse a barraca no quiosque do Mirante, de frente pra praia, que só funciona de fim de semana e teria uma parte coberta para me proteger da chuva. Ainda sugeriu o Restaurante do Pelezinho para jantar.

Quando cheguei ao Quiosque, fiquei eufórico! Uma estrutura de madeira sem cercas ou paredes de frente para o mar! Lugar paradisíaco para passar a noite. Para melhorar, encontrei uma ducha na praia para tomar banho e pra fechar com chave de ouro, entrei em uma pelada com os caiçaras. Deu para esquentar o corpo e tomar um banho gelado e refrescante depois.

 

Vista do quiosque onde acampei em Barequeçaba

Vista do quiosque onde acampei em Barequeçaba

 

A noite caiu e já estava dentro da minha barraca. Logo que cai no sono começou o pesadelo… Acordo com chuva entrando na minha barraca e o vento a empurrando. Sai para colocar a capa impermeável da barraca e amarrá-la nos postes e cadeiras em volta. Isso ajudou a segurar. Mais tarde acordo com o barulho da chuva e com o meu saco de dormir todo molhado. O piso impermeável criou uma poça d’água que acabou entrando por baixo e encharcou toda minha roupa. Só tive força para trocar de roupa e mudar de posição e dormir de novo. Acordo novamente encharcado e desta vez decidi levantar para tomar providência. Quando vejo o relógio, já era hora de levantar. Saiu da barraca já com claridade. Acompanhado da noite catastrófica, encontro minha bicicleta com o pneu furado, raios da frente quase soltos e fios do ciclocomputador arrebentados. Sem dúvidas uma noite para testar a paciência e o autocontrole.

Dia 3. Barequeçaba (São Sebastião) – Praia Dura (Ubatuba)

Resumo do dia:
Distância percorrida:
70 km
Trajeto
: Rodovia Rio Santos direto com alguns pequenos desvios
Condições do trajeto:
Trecho de São Sebastião e Caraguatatuba plano em área urbana; trecho inicial de Ubatuba com subidas, afastado do litoral no começo.
Mapa do trecho: clique aqui
Duração: saída às 07h30 e chegada às 15h30
Despesas: R$ 10,00

Como podem ver aí acima que meu dia foi bem barato, né?! Pois é, hoje tive uma boa noção do que uma cicloviagem pode proporcionar quando você está aberto para novas aventuras. Após quase duas horas de atraso de saída de Barequeçaba devido às roupas e barraca molhadas e os problemas com a bicicleta (pneu furado, raios soltos e cabo do ciclocomputador estourado) pude seguir viagem e tomar um vento para esquecer a noite traumática. Admito que esse episódio me deixou bem irritado e impaciente, mas levei isso tudo como lição para encarar o problema, achar a solução e tocar em frente. Uma vez ouvi que não importa o que acontecer, o importante não é como você começa o dia, mas como você termina ele. E claro que esse conceito é uma metáfora aplicável para uma vida inteira.

Para secar a roupa e a bagagem da chuva na noite anterior tive que pedalar com as roupas penduradas no bagageiro. Ajudou muito o fato de estar com roupas e toalha de material que seca rápido. Não peguei chuva por vários dias direto, mas imagino que nesse caso seja mais complicado porque seria necessário guardar a roupa molhada, deixando-as com mal cheiro.
Para lavar a roupa aproveitava os banhos e esfregava com sabonete. Foi uma boa solução para não ter que levar muitas peças de roupa. Sempre quando podia estendia as roupas para secar mais rápido.

O clima começou a mudar e tudo conspirou a meu favor no restante do dia. Passiei pelo maravilhoso Centro Histórico de São Sebastião, ganhei uma rápida revisão no câmbio da minha bicicleta, fui convidado para um café de um vendedor de loja de construção, e vi paisagens maravilhosas – uma atrás da outra. Isso tudo me alimentou e me fez esquecer qualquer problema que tinha passado. Mas o melhor ainda estava por vir…

Mapa de desvio pelo Centro Histórico de São Sebastião

Entrei no município de Ubatuba já tarde. Parei num posto e vi que já era 15h15. Coloquei a meta de pedalar até às 15h45 até arranjar algum lugar pra dormir. Sai do posto e começou as subidas e chuva, mais sinais de que era hora de parar e de que estava em “Ubachuva”.

 

Em subidas, perde-se o acostamento da  direita. Por isso, optava por pedalar pelo acostamento do lado  esquerdo.

Em subidas, perde-se o acostamento da direita. Por isso, optava por pedalar pelo acostamento do lado esquerdo.

 

Tinha acabado de ser atacado por um cachorro no plano e consegui fugir, mas em seguida peguei uma subidona onde vi um cachorrão me encarando. Tirei o fone de ouvido e parei de pedalar para não arriscar. Ele começou a abanar o rabo e veio brincar comigo (ufa!). Voltei a pedalar e ele me acompanhou correndo. A companhia dele me ajudou a ter força pra encarar a subida. Retribui dando duas mãos cheias de granola e segui viagem.

O horário do “toque de recolher” estava chegando e percebi que não ía chegar a tempo no centro de Ubatuba. Pelo meu trauma de dormir na barraca – e também porque estava tudo molhado – decidi buscar um quarto em algum hotel/pousada.

Primeiro lugar que parei, em Praia Dura, a diária era R$ 170, sem as refeições poderiam fazer por R$ 80!! Inviável! Me indicaram uma pousada mais pra frente, mas não coloquei muita fé na dica deles. De repente começou outra subidona e me deu desespero de não achar pousada nenhuma. Na beira da estrada vi um pequeno vilarejo e dois rapazes trabalhando. Consultei sobre uma pousada mais pra frente e não sabiam dizer, então apelei para pedir um quarto no vilarejo. Um deles demorou para responder, mas finalmente me chamou para ir para a casa dele.

Conclusão: passei o resto da tarde e noite com um casal super humilde e simpático – o Sasá e Dona Jandira. Para melhorar, O Sasá usava sua casa como oficina de bicicletas, o que rendeu muitos papos sobre este incrível meio de transporte. Já a Dona Jandira me ensinou várias receitas gostosas e fáceis de fazer.

 

Sasá, Dona Jandira e eu no quintal da casa deles, onde me hospedei (Praia Dura).

Sasá, Dona Jandira e eu no quintal da casa deles, onde me hospedei (Praia Dura).

 

O casal se preocupava com tudo para me agradar. Senti até que eles se incomodaram no começo pela casa não estar em ótimas condições. Conversa vai, conversa vem, e surgiu uma grande amizade, com muitas risadas e emoções. Me contaram que a casa deles está embargada por estar perto de um mangue (Reserva Natural).

Ganhei um mega rango – um arroz e feijão delicioso com ovo, salada e angú. Delícia! Conversamos até umas 22h e me ajeitei no sofá da sala para dormir. Fiquei sem sono de tanta emoção dessa experiência que estou passando. Cicloturismo é isso: a gente sai sem muito objetivo, sem muito destino e planejamento, mas no desenrolar da história, com esses milagres, começo a entender exatamente porque precisava desta viagem, mesmo passando por situações de sofrimento.

Dia 4. Praia Dura (Ubatuba) – Centro de Parati

Resumo do dia:
Distância percorrida:
100 km
Trajeto
: Rodovia Rio Santos direto com desvios em cachoeiras e praias de Ubatuba
Condições do trajeto:
Trecho de Ubatuba até a divisa de estado com muitas subidas; trecho no início do Estado do Rio de Janeiro com descidas e acostamento em más condições, sendo necessário pedalar pelo meio da pista.
Mapa do trecho: clique aqui
Duração: saída às 06h30 e chegada às 16h00
Despesas: R$ 73,00 – com refeição mais cara no centro de Parati, presentes e câmara extra de bicicleta

A despedida de Sasá e Jandira foi tão emocionante quanto a noite anterior. Prometi que mandaria a foto para eles e ficaram super empolgados. Quando me despedi deles até decidiram passear pela praia, coisa que não faziam há mais de 2 meses.

 

Sol nascendo na neblina na saída de Praia Dura (Ubatuba)

Sol nascendo atrás da neblina na saída de Praia Dura (Ubatuba)

 

Minha meta do dia era chegar em Parati o mais cedo possível, mas foi mais difícil do que imaginava. Logo na saída já peguei uma subida longa. Por sorte encontrei uma bica com água cristalina caindo da serra. Um senhor disse que era a melhor água de toda a região. Realmente era muito boa.

Nesse dia pratiquei algo que li no livro do Antonio Olinto sobre sua volta ao mundo e que também observei dos caiçaras que íam para o trabalho logo de manhã de bicicleta. Quando chegava uma subidona, não tinha pra que forçar e tentar pedalar todas elas. Os caiçaras simplesmente desciam da bike e empurravam. Foi o que eu comecei a fazer. As subidas mais puxadas nem começava a forçar. Descia e empurrava. Assim, pude economizar o pouco de energia que sobrava no final do dia.

Passei em várias praias bonitas de Ubatuba, como a dos Toninhas, que tem um monumento com golfinhos na entrada. Fiz um desvio pelo Centro de Ubatuba (Praia do Cruzeiro) e gostei do que vi…

Mapa de desvio pelo Centro de Ubatuba

Como estava se aproximando das 10h, horário em que parava pra tomar café da manhã, consultei o Centro de Informações Turísticas sobre praias onde poderia encontrar algum mercado. Sugeriram a Praia de Itamambuca e Puruba. Decidi ir para Puruba que era mais distante e daria certo no meu cronograma.

A praia não tinha muita estrutura, mas por sorte parei num lugar especial na beira da estrada. Era uma espécie de loja de móveis rústicos, com um visual bem bacana. Parei mais para conhecer e a loja – chamada Chão Batido – e acabei descobrindo um dos melhores cafés que já tomei até hoje. Para acompanhar, comi um pão caseiro e experimentei um ovo de pata. Um pouco diferente, mas muito gostoso.

 

Mata preservada no trecho a caminho de Puruba (Ubatuba)

Mata preservada no trecho a caminho de Puruba (Ubatuba)

 

Acabei perdendo a hora na loja e quando fui me dar conta já era mais de 11h30. Continuando o pedal, cheguei num trecho complicadíssimo. Foram 10 km de subida contínua até a divisa dos estados SP/RJ. Muitas paradas para descansar  – mirantes, Núcleo do Picinguaba do Parque Serra do Mar, Cachoeira da Escada, e outros pontos.

Passar pela divisa foi muito fortalecedor. Deu uma boa sensação de conquista. Imaginei na hora como deve ser cruzar uma fronteira entre países, um continente ou o mundo!

 

Km 0 da BR-101 - divisa de Estados SP/RJ

Km 0 da BR-101 - divisa de Estados SP/RJ

 

O começo da Rio Santos no Estado do RJ foi basicamente só descidão. Em compensação precisei ter mais atenção nas estradas cariocas devido a má qualidade do acostamento, me forçando a pedalar pela pista.

A paisagem também mudou bastante. A rodovia passa a ser mais afastada do litoral e passa por campos e áreas rurais. Maioria das praias de Parati só se chega de trilha.

Já era quase 14h e faltava pouco para chegar em Parati. O velocímetro e a distância começou a confrontar com minha mente. Pedalava e pedalava, e quando olhava no ciclocomputador a quilometragem mudava muito pouco. Tudo isso me fez chegar bem cansado no Centro de Parati. Como sabia que o Centro era uma região muito turística, portanto cara, decidi procurar o Corpo de Bombeiros. Que sorte! Ficava bem na entrada do centro.

Cheguei no Corpo de Bombeiros e fui recebido pelo Sargento Nelson – muito figura! Falei que estava viajando e que queria tomar banho para depois buscar onde dormir. Algumas conversas com os bombeiros e tudo certo, estava autorizado para usar o vestiário e passar a noite lá. Apenas tive que passar por um procedimento padrão de revistarem minha bagagem, mas nesse meio tempo já pude ganhar várias amizades lá dentro. Tomei um banho extremamente relaxante, e quando piso fora do vestiário fui convocado para jogar bola com os bombeiros (tinha um campo de futebol no fundo do corpo de bombeiros!).

Após o futebol decidi fazer um passeio pelo centro histórico de Parati. Perdi o jantar no corpo de bombeiros, mas comi um delicioso prato de frutos do mar. Para quem não quer gastar muito, sugiro jantar longe do centro porque os restaurantes praticamente cobram em dólar!

 

Pose de campeão após "pelada" com bombeiros de Parati

Pose de campeão após "pelada" com bombeiros de Parati

 

Voltando para o corpo de bombeiros tive uma aula de história com o Sargento Russo sobre o trabalho deles e as emergências que já tiveram que atender no meio do mato. Me despedi e agradeci a todos e fui descansar. Sabia que o pedal até Angra – ponto final – ía ser longo e precisava acordar cedo para chegar antes do último ônibus da tarde.

A sensação que tive nesse longo dia é que, em alguns momentos, uma cicloviagem pode ser bem entediante, principalmente quando se está sozinho. Pensei várias vezes em ficar por Parati, já que também encontraria ônibus de volta pra São Paulo. Mas teve um lado da conquista, da superação, que falou mais alto e me fez seguir em frente.

Dia 5. Centro de Parati – Centro de Angra dos Reis

Resumo do dia:
Distância percorrida:
110 km
Trajeto
: Rodovia Rio Santos direto
Condições do trajeto:
O acostamento neste trecho melhora, sendo possível pedalar sem tanta preocupação. Poucas subidas, mas longas; não há tantos desvios para se fazer. Para quem não conhece, vale a pena entrar no bairro Frade.
Mapa do trecho: clique aqui
Duração: saída às 05h45 e chegada às 13h00
Despesas: R$ 88,17 – a passagem de ônibus de Angra até São Paulo custa R$62.

O último dia foi muito difícil. Minhas pernas acordaram travadas do acúmulo das pedaladas e do futebol na noite anterior, mas sabia que precisava levantar logo pra chegar em Angra. Nessas condições, comecei a me preocupar mais em alongar os músculos não só da perna, mas de todo o corpo para diminuir o estresse e incômodo, pois sabia que ficaria na mesma posição por bastante tempo. Saí às 05h45, passando pela rodoviária de Parati para confirmar os horários dos ônibus de Angra a São Paulo, mas estava tudo fechado ainda.

 

Vista para a Praia Brava (Angra dos Reis)

Vista para a Praia Brava (Angra dos Reis)

 

Os primeiros 50 km do dia foram planos, o que deixou a viagem bem cansativa pela constância do movimento das pernas e da paisagem. Depois teve um sobe e desce que me incomodou em vários momentos. Eram subidas longas, que custavam para terminar, a exemplo da subida ao lado da Usina Nuclear Angra 1. Tive que respirar funto pra seguir. Fiz duas paradas rápidas para descansar, mas pedalei com cadência até Angra. Achei que tinha um ônibus que partia às 13h e corri para pegá-lo. Isso acabou prejudicando meu humor do dia e minha chegada em Angra, que foi bem chata pra falar a verdade – depois de uma viagem dessa é difícil pensar na volta

Cheguei na rodoviária de Angra em cima da hora prevista, mas descobri que o ônibus só saia às 15h. Sendo assim, tive tempo de sobra para tomar banho e bater aquele rango. Vamos à caça! Na rodoviária teria que pagar R$ 4,50 para tomar banho e ainda fiquei preocupado em deixar minhas coisas largadas no corredor. Não deu outra, fui caçar o corpo de bombeiros da cidade, dada a experiência que tive em Parati. Infelizmente o oficial que estava lá não autirzou. Os demais bombeiros ficaram super chateados com a decisão do oficial e, preocupados comigo, me sugeriram buscar o vestiário do estádio de futebol ao lado. Ótima ideia! Tomei um banho gelado no vestiário dentro do estádio, garantindo a segurança da minha bicicleta. Em seguida almocei em um restaurante self-service super barato e com o melhor feijão preto que já comi. Quase me atrasei para o ônibus de tanto que comi!

 

Na rodoviária de Angra dos Reis

Na rodoviária de Angra dos Reis

 

Pegando o ônibus de volta com bicicleta
Antes de viajar liguei para a empresa Reunidas para saber das normas de pegar o ônibus de bicicleta. Falaram que precisaria desmontar e embalar toda a bicicleta, além de apresentar a nota fiscal da mesma. Que loucura!! Minha bicicleta tem mais de 10 anos e está toda modificada. Dada essa dificuldade, cheguei com antecedência para pegar o ônibus e conversar com o motorista. A única coisa que fiz foi tirar o caixote da minha bike. O funcionário da Reunidas disse que o normal seria despachar a bicicleta como encomenda, já que não estava desmontada e embalada. Falei para ele da viagem que tinha feito, e que tinha uma pequena lona para cobrir as partes pontiagudas e sujas da bicicleta. Como quase todo carioca gente boa, disse que não havia problema nenhum e poderia levar a bicicleta numa boa, mesmo sendo contra as regras da empresa. Embora tenhamos uma legislação dizendo que podemos levar bicicleta no ônibus interestadual/internacional (dentro de certas condições de tamanho e peso), ainda precisamos contar com a boa vontade dos funcionários e motoristas de ônibus na hora do despache…

Pedalar pela Rio Santos foi realmente uma realização de um sonho antigo. Senti a diferença entre viajar de carro e viajar de bicicleta. A diferença nas paisagens, nas conversas, no aprendizado e nas reflexões. Essa diferença também se deu por estar sozinho – experiência importante para todo mundo, mas que, sem dúvidas, com o tempo, fica cada vez mais difícil estar isolado dos amigos e da família. Recomendo esta viagem, faria de novo (provavelmente com mais tempo), e estou certo de que voltei com muito mais aprendizado sobre a geografia da região, sobre as culturas, pessoas, e com grandes amigos que um dia espero reencontrar, coisas que não teria vivenciado de outra forma.

 

Foto destaque da viagem

Foto destaque da viagem

 

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33 Responses to Cicloviagem – Rodovia Rio Santos

  1. Ju Reis disse:

    Ei JP
    Essa é uma viagem que tenho muita vontade de fazer e tinha muitas dúvidas.
    Obrigada!
    abraço

  2. Camila Oliveira disse:

    Nooossa, que máximo esse relato! Comecei a ler e simplesmente não dava pra parar!!!

    Tenho muita vontade de fazer uma cicloviagem assim de vários dias.. Parabéns pela garra! Acho que o grande desafio é estar sozinho, o psicológico deve pesar muito nessas horas..

    Ah! Pela foto do casal que te recebeu deu pra sentir como foi um encontro especial! E que lugar!!!

    Agora vou passar o resto do dia suspirando e planejando viagens..

    Ainda não terminei de ver as fotos, os relatos são sempre mais irresistíveis pra mim!

    Um abraço,
    Camila

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Vá de Bike!, Turisdata. Turisdata said: Cicloviagem – Rodovia Rio Santos « http://dlvr.it/6hmT1 […]

  4. pedalante disse:

    Ninguém segura o JP….

    Cada linha relatada, lembro de como se fosse hj, sua 1ª aparição na bicicletada. O jantar em casa, para prosearmos sobre uma aventura ao sul – e vc, e sua Evelyn – dizia q loucura!! ( rindo agora. )

    Orgulho de ler e conhecer pessoas como vc, q tanto nos inspira a acreditar, que sim, outro mundo é possível!!

    Parabéns.

  5. JP Amaral disse:

    Valeu galera!!

    Era exatamente isso que queria gerar com este post. Provocar esses “suspiros” e desejos para os que querem viajar de bike, e relembrar de grandes inspirações como o Pedalante.

    Obrigado mesmo.

    Muitos abraços,

    JP

  6. Matheus disse:

    Fantástico! Vou viajar na próxima semana do Rio de Janeiro a Santos – e certamente o seu relato vai me ajudar muito.

    Uma dúvida: você usou aquele short de ciclismo por baixo ou cueca normal? Abraço

  7. […] que há opções. Se você nunca ouviu falar em cicloviagem, vale dar uma olhada com carinho neste relato da que o J. P. Amaral fez sobre uma na Rio Santos. A foto que abre este texto é […]

  8. Salve JP,

    Me junto a lista dos que tem vontade de fazer essa viagem já faz um tempo. Me mudei para o Rio de Janeiro faz dois meses. Qualquer dia desses quando tiver que ir para São Paulo vou pedalando :-)

    Valeu pelo relato e pelas informações detalhadas.

    Abraços, Rodrigo.

  9. Bruno Giorgi disse:

    JP, essa viagem pela Rio-Santos é única, quero refazê-la com mais tempo.

    Ainda não li todo o post, mas pelo pouco que vi, retrata bem fielmente o que é fazer essa viagem sozinho.

    Algumas coisas que me marcaram e que vi por aqui foram aquela primeira subida depois do trecho plano em Bertioga, que é o prenuncio de um sobe e desce interminável (como vc mesmo descreveu um caminho da Fé pavimentado), a Serra entre Boiçucanga e Maresias que também parece não ter fim, mas que nos recompensa com o visual da Serra lá de cima e com a descida do outro lado.

    Outra coisa que você mencionou que é muito interessante é a diferença entre fazer uma cicloviagem acompanhado e fazer sozinho, pois apesar de sozinho você estar sempre no seu ritmo e sem ninguém te apressando ou atrasando e de podermos contemplar a paisagem ou o silêncio no nosso tempo, tem horas em que queremos compartilhar uma determinada situação ou simplesmente falar qualquer besteira e não tem ninguém por perto, essas horas são meio tristes…

    Enfim, cicloviagem sozinho é uma viagem pra dentro de nós mesmos, de descoberta pessoal e todo mundo que gosta de cicloturismo deveria experimentar pelo menos uma vez.

    Saudades dôceis dois!

    Bruno Giorgi

  10. Rodrigo disse:

    Estava buscando no google informações sobre a Rodovia Rio – Santos e o tipo de material que encontrei aqui foi exatamente o que estava procurando (para viajar de carro mesmo).
    Meus parabéns pela viagem!

  11. Icaro disse:

    Porra meu, que bacana.

    Tudo, toda sua descrição, a viagem em si. Super show de bola.

    Cheguei aqui procurando por alguém que já tinha ido de Mogi das Cruzes (indo de SP até lá de trem) até Ubatuba, só que pelo ‘meio’ e não pelo litoral.

    Farei essa viagem na sexta-feira (31/12) bem cedo. Mas como são 162km vou fazer tudo direto. Eu possuo o preparo físico para tal, o psicológico veremos..

    Acha muito pesado? Tem alguma sugestão?

    Grande abraço,

    Icaro
    icarors@gmx.com

    • Olá Icaro,

      Que bom que gostou do relato!

      Bom, é um bom desafio a sua pedalada para Ubatuba. Não sei ao certo qual é o caminho de Mogi para lá, mas minha namorada fez de São Paulo até Ubatuba passando por Taubaté. Parece que é bem puxado! Levaram dois dias e sofreram bastante. Ouvi falar de uma estrada da Petrobras que leva até Ubatuba. Seria essa?

      A única dica que posso dar é que se vc for pelo litoral, não vai se arrepender. O desafio e as belas vistas são incríveis! Vale muito a pena.

      Abs,

      JP

  12. Vinicius disse:

    Parabéns pela viagem.
    Daqui a 2 semanas farei Niterói x Santos. Espero poder me divertir tanto quanto você. Se tiver dicas e sugestões, fique à vontade em mandar.
    Abraço,
    Vinicius

    • Oi Vinicius! Muito legal sua viagem!! Creio que vc já deve estar na estrada, mas minhas dicas são:
      – Visite os bombeiros de Paraty e, se possível, se hospede por lá
      – Nas subidas pedale pelo acostamento da contramão se não estiver muito movimentado. Nas subidas a Rio-Santos vira duas pistas para ter ultrapassagem, aí pode te prensar no canteiro
      – Esteja aberto às experiências e se pensar em fazer um desvio, faça-o. Pode te trazer muitas surpresas!!!

      Abs,

      JP

      • Vinicius disse:

        Olá JP, blz?
        Acabou que a viagem foi adiada. Não a fiz ainda. Estou pensando se devo fazer Niterói x Santos ou Santos x Niterói. O que recomenda? E por quê?
        Abs.

  13. ernestomsena disse:

    Olá! Adorei seu relato. Foi Indicado pelo Rodrigo Primo. Recentemente fiz uma viagem de bici que terminou em Angra. Saí do Rio, cruzei a serra das araras, depois segui para lídice e desci a serra d’água. De lá voltei de ônibus, mas não tive qualquer problema para colocar a bike no ônibus.

    Aqui no blog tem o relato completo da viagem, infelizmente sem foto nenhuma, visto que minha câmera quebrou nos primeiros 50km!

    abraaços!

  14. antonio neto disse:

    Caro JP, meu projeto para 2013 é fazer a Rio-Santos inteira, saindo do entroncamento com a Rod Piaçaguera e partindo em direção ao Rio até a Avenida Brasil…..Sua experiência é motivadora, Parabéns.
    Se tiver interesse nessa viagem, fica o convite!

    • Otavio disse:

      eae Antonio,

      Vc fez a trip em 2013? postou relato em algum lugar?

      • antonio neto disse:

        Fiz sim, comecei a relatar no blog http://bicicletasebikes.blogspot.com.br/2013/03/sao-paulo-x-rio-de-janeiro-de-bicicleta.html
        …mas não continuei.
        …Bem, a viagem foi fantástica – 4 dias de pedalada e no 5º dia, já no RJ, pedalei até o Corcovado, no 6º dia peguei um avião até Congonhas e fui pedalando p’rá casa.
        Fiquei em Alberque da Juventude em Maresias e Rio, em Paraty fiquei num Hostel e em Mangaratiba numa pousada.
        Faça a viagem, sim….é uma peregrinação, é uma terapia. Não tive um problema sequer, as pessoas me recebiam com curiosidade, gentileza e hospitalidade….de bicicleta você será a “sensação”, ah! ah!.
        Para este ano 2014, em dezembro pretendo fazer até Buzios.
        boa viagem e boa pedalada.

  15. fiz tbm essa rota, foi muito bom porem acompanhado de mais quatro loucos, divertimos muito, foi a melhor coisa que fizemos juntos, temos fotos das praias, da toca do bicho , vc deve se lembrar de ter passado por ela assim como da cacheira da escada, tem um barzinho lá , um rango gostoso, , o melhor de tudo é a união do grupo que se fortificou ainda mais, momentos que ficarão gravados eternamente na memória de cada um de nós.., se quiserver nossas fotos, moraesgcm@hotmail.com

  16. leonardo. disse:

    olá meu nome é leonardo,moro no litoral paulista,especificamente na cidade de mongagúa no centro,em 2013 estou planejando praticar cicloturismo até o paraguai e no retorno para o rio de janeiro,levarei uma boa grana para poder me suster em todo o trajeto que irei percorrer de bike a todos esses lugares,vou praticar esta aventura com intuito de escrever um livro contando toda essa aventura realizada,sou natural do estado de PE(recife),moro no litoral paulista há 2 anos,e tenho vontade de realizar o sonho de conhecer estes dois lugares fascinantes,depois retornarei para SP onde moro atualmente,espero que este meu planejamento seja um sucesso,e que tudo ocorra bem,obrigado a todos por me receberem neste site e até breve.

  17. Agnaldo disse:

    Amigo, parabéns pela coragem de encarar essa aventura. Sou membro do Pedal Aventura da cidade de Indaiatuba ( próxima a Campinas) neste mês de novembro estaremos realizando nosso sétimo passeio consecutivo (uma vez. No ano) no trecho Ubatuba x Paraty. Isso é mágico . Obrigado por postar essa matéria . Abs

    Agnaldo Oliveira

    • antonio neto disse:

      Agnaldo, tudo bem.
      Este trecho do litoral é maravilhoso, na minha infância eu passava férias nesta região… mas fica uma dica: façam o trecho de Guaratinguetá X Paraty — vocês não se arrependerão. Se desejarem informações sobre o trajeto podem me questionar, meu e-mail veiganeto.sp@ig.com.br.
      Abraços à todos e boa viagem.

  18. alessandro disse:

    Muito show as fotos e relatos,bem detalhado como deve ser todo post bem feito. Ainda farei algo desse tipo e gastar pouco com comida, banho e estadia é comigo mesmo. A aventura não tem preço. Parabéns. Alessandro – RJ no momento de ferias em Angra dos Reis.

  19. Otavio disse:

    eae Cara …

    Vou fazer essa trip em maio/2014 agora …. mas farei tudo, de Santos até o Rio….e espero que minha experiencia seja tão boa quanto a sua (mas não será tão roots, pois moro em Caraguatatuba e farei um parada estratégica em casa! rs)

    A propósito: Toque Toque Grande é menor que Toque Toque Pequeno sim …mas o que da o nome às praias não é o tamanho da praia em si, mas da ilha que fica em frente à praia! ;)

    abs…

  20. Parabéns pela viagem… relato muito bom!!!

    Cicloabraços
    Joaozinho

  21. renato disse:

    Ola JP, Gostaria de algumas informações sobre essa viagem.Voce fez algum tipo de preparo fisico especifico para essa viagem? Ja tinha noçoes de mecanica de bike, ou se virou na hora? Obrigado e parabens!!

  22. Pedro Paulo Rocha disse:

    Parabens pela viagem,gostei muito…gosto muito desta rergião!!!

  23. I’m no longer certain the place you’re getting your info, but great topic.
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  24. Ben-Hur Souza Rosa disse:

    Sensacional seu relato sobre a viagem JP !!
    Acredito que vai inspirar e dar coragem a muitas pessoas que tem essa vontade de viajar de bike, inclusive eu hahaha !!
    Obrigado pelo relato !!

  25. Walmor disse:

    Fiz essa viagem mais um amigo de santos a Paraty três vezes sempre no mês de janeiro pedalávamos santos são sebastião , são sebastião Ubatuba e Ubatuba Paraty fiz em uma bicicleta caloi 100 levamos pouca roupas e pedalávamos ate de madrugada para fugir do calor sempre depois de uma viagem dessa recarrega a bateria para encarar o nosso dia a dia. Parabens pela viagem

  26. Amigo, por que nao foi ate o Rio de Janeiro capital? Perigoso?

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