Detalhes

Quarta-feira foi o Dia Mundial sem Carro, mas a cidade continuava congestionada. Ainda que algumas pessoas tenham feito iniciativas legais, a imprensa tenha aderido de alguma forma e a Bicicletada do Dia Mundial sem Carro tenha sido a mais linda e mais cheia que já em toda a minha vida, a cidade continuou parada.

Os motivos todos já sabem: falta transporte público decente e suficiente (e a prefeitura disse que aumentou os ônibus em circulação na quarta), falta incentivos para o uso da bicicleta, as pessoas tem medo, o blá blá blá de sempre e o trânsito de sempre também.

Ainda assim, fiquei feliz só por ter visto aquela massa crítica pedalando na Avenida Paulista e um motoqueiro falar para mim durante o corking: “poxa, mas não acaba nunca…”. Realmente, a maré de ciclistas não acabava nunca. Estava lindo.

Mas lindo mesmo foi o e-mail que eu recebi hoje da prefeitura de Adamantina contando que a cidade paulista de 34 mil habitantes, perto de Presidente Prudente, tem uma lei municipal que determina que no 22 de setembro a prefeitura deve promover ações de estímulo ao uso da bicicleta, da caminhada e da carona solidária para os deslocamentos no dia. Além disso, o cartão de zona azul custa o dobro do preço nessa data e ainda vem acompanhado de uma mensagem educativa sobre a importância de se deixar o carro em casa. Resultado: o movimento de carros reduziu 50% nas regiões onde é preciso usar a zona azul. Além disso, muita gente foi para a escola de bike, já que rolou um passei ciclístico levando às duas escolas municipais da cidade.

São detalhes, detalhes pequenos que fazem toda a diferença. Se uma cidade pequena como Adamantina é capaz de ter essa visão, de promover uma ação como a que eles promoveram no Dia Mundial sem Carro, de entender que esse assunto é importante para eles, eu fico me perguntando porque a cidade de São Paulo não pensa o mesmo, porque não faz nada?!

Não aceito a desculpa de que em uma megametrópole é muito mais difícil de implantar qualquer ação ou ideia em comparação às pequenas cidades. Afinal, uma metrópole tem o que toda pequena cidade não tem: dinheiro e profissionais hiper capacitados. Se a pequena Adamantina é capaz de promover uma ação tão simples, inteligente e inovadora, a cidade de São Paulo também é. Se Adamantina já mostrou que não precisa se espelhar em uma grande cidade para tomar iniciativas, São Paulo precisa mostrar que é humilde o suficiente para se espelhar nas ideias das cidades menores. São detalhes, pequenos como estes, que fazem toda a diferença.

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One Response to Detalhes

  1. […] Um bom exemplo Prefeitura de Adamantina, no interior paulista, tem uma lei municipal que determina ações de estímulo ao uso da bicicleta, da carona solidária e da caminhada no 22 de setembro. Leia mais. […]

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