Artigo – Dia Mundial sem Carro

A minha prima Sônia Araripe, editora da revista Plurale, me pediu um artigo sobre o Dia Mundial sem Carro para publicar no site da Revista.

Reproduzo o artigo abaixo.

Se preferirem, acessem direto no site da Plurale.

ESPECIAL PLURALE/ Para não precisarmos de Dia Mundial sem Carro

Por Evelyn Araripe, jornalista (*)

De São Paulo

Dia 22 de setembro de 2009, terça-feira, Dia Mundial sem Carro. Em várias partes do mundo as pessoas deixavam os carros em casa e procuravam outras alternativas para se locomoverem. Nesse mesmo dia eu chegava em Copenhague, na Dinamarca, de bicicleta. Acabara de completar o trajeto de 800 km de Berlim até lá, feito em dez dias de pedaladas. A capital dinamarquesa estava tomada por bicicletas.

Não, essa cena não era por causa do Dia Mundial sem Carro, mas porque um terço da população utiliza a bicicleta diariamente como meio de transporte nos mais de 300 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas, sinalização impecável e respeito no trânsito. Chegamos até a procurar alguma movimentação para saber se existiria alguma “comemoração” da data mas a resposta que tivemos foi “nós não precisamos de Dia Mundial sem Carro”!

Pois é, Copenhague pode não precisar desta data, já que todos os dias são dias sem carro para 500 mil pessoas por lá. Mas nós brasileiros, nós precisamos de um dia desses para sensibilizar a população de que existem outras alternativas ao carro. O transporte público é ruim? Andar de bicicleta é perigoso? Mas a cidade é feita por quem?

As cidades são feitas por pessoas e o trânsito é um reflexo das mesmas. Congestionamento de carros muitas vezes ocupados apenas pelo motorista, desrespeito e repulsa aos ciclistas e pedestres, nada mais são do que o reflexo de uma sociedade egoísta e educada a ver que carro é sinal de status e superioridade.

Ah, mas você pode argumentar: “o problema são os governantes”. Mas quem é que elege estes governantes? São as pessoas!

Por isso, deixar o carro em casa nesse 22 de setembro é um convite para se observar a cidade de uma outra maneira. Um convite para repensá-la e ver o papel de cada um de nós no trânsito da cidade que é feito, sim, por seres humanos e nós estamos inclusos nisso e temos individualmente nossas responsabilidades. Olhar a cidade além da janela dos carros pode ser uma ótima experiência para se desejar um ambiente urbano mais agradável e, quem sabe, chegarmos ao dia em que seremos como Copenhague e não precisaremos mais de Dia Mundial sem Carro.

(*) Evelyn Araripe é jornalista e usa a bicicleta como meio de transporte em São Paulo e para viagens e aventuras pelo Brasil e pelo mundo.

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