RJ com mobilidade e sem mobilicidade

Final de semana fomos para o Rio de Janeiro. Decidimos não levar as magrelas e experimentar os modais de transporte que existem na capital carioca para nos deslocarmos. O primeiro deles foi o ônibus. Chegamos nem 6h da manhã na rodoviária e negamos o táxi. O negócio era experimentar o sistema público de transporte. A viagem foi regada de muitas aventuras. Os motoristas de ônibus correm muito, fazem curvas de um jeito um tanto quanto agressivo e as vezes nos perguntávamos se alguém os avisou de eram seres humanos sendo transportados ali. Não sei se avisaram, mas também ninguém reclamou e em menos de meia hora fomos entregues inteiros no nosso ponto final.

Dali em diante, muita caminhada. Caminhada para o apartamento onde ficamos hospedados, caminhada de 10 km pela orla da praia – com paradas para biscoitos Globo, água de côco, banho de mar e banho de sol – caminhada para visitar amigos “das antigas” do João, caminhada para o metrô. Aí um novo modal. Metrô bom e caro, mais caro que São Paulo: R$2,80 e sem direito a bilhete único. Tudo isso para chegarmos ao Centro e explorar a cidade em mais uma sessão de bastante caminhada.

Do Centro para a Lapa e no meio do caminho um bonde. Bem mais barato que o metrô (R$0,60), o trajeto parecia bem atraente, levando os passageiros até o morro de Santa Teresa, reduto de artistas, amantes da boa comida e de casarões antigos hora bem conservados, hora em ruínas. Um cenário incrível, mas o bonde teve que parar. No Largo do Curvelo um poste ameaçou cair e a viagem parou por ali. O negócio era voltar ou caminhar até o Santa Teresa. Insistentes, seguimos na caminhada para termos o privilégio de apreciar um belíssimo pôr do sol.

Vista do bonde por cima dos arcos da Lapa

Vista do bonde por cima dos arcos da Lapa

Com o dia já escuro, mais caminhada. Sabíamos que se descêssemos o morro, iríamos parar na Glória, onde daria para apanhar outro metrô. Pedimos algumas informações, dicas de ruas do tipo “essa é melhor vocês não irem, essa podem ir com tranquilidade”, enfim. Seguimos descendo a ladeira e o barulho do largo agitado foi se transformando no silêncio de ruas com casarões antigos que se intercalavam com alguma conversa em uma casa, com um carro que passava ou com a mãe que gritava com o filho na rua do alto da janela de casa.

Desce ladeira, desce ladeira, e fomos parar novamente em ruas bem movimentadas e, logo mais, avistamos o metrô. Nessa altura do campeonato já devíamos ter um saldo de uns 20 km de caminhadas. Mas, o dia não parava por ali. De carro, na carona dos amigos reencontrados pela manhã, fomos jantar e nesse modal encerramos o sábado, com as pernas doloridas, com lembranças incríveis do dia bem aproveitado e com saudades das bicicletas. Aliás, os motoristas de carro são tão loucos quanto os motoristas de ônibus! Talvez nem tanto… Mas um fato que vimos mais de uma vez foi que o semáforo no RJ tem efeito inverso, quando está vermelho os carros ultrapassam e quando está verde eles olham para ver se não tem nenhum carro furando o cruzamento.

Acordando cedo para aproveitar o dia seguinte

Acordando cedo para aproveitar o dia seguinte

No dia seguinte, acordamos cedo e decidimos que era hora de se render às magrelas. A prefeitura do Rio tem espalhada pela cidade um sistema interessante de aluguel de bicicletas. Administrado por um sistema chamado de Mobilicidade, paramos no primeiro posto de aluguel para tentar alugar as nossas magrelas. O esquema parece simples. Você liga, informa os dados do seu cartão, na sequência você retorna a ligação e desbloqueiam automaticamente a bicicleta. O problema é que não conseguimos desbloqueá-la. Um problema de comunicação com a operadora do cartão frustrou a nossa ideia de pedalar pelo Rio. E pior, ainda que tivesse dado certo, teríamos conseguido alugar só uma bike, já que só estávamos com um celular e eles só permitem um aluguel pro telefone (!!). Alguém teria que ir no cestinho.

Detalhe: no dia anterior o João foi bater uma foto minha em cima da bike de aluguel e ao  montar nela, ela simplesmente soltou. Assim, de presente, dizendo “me pedale por favor”. Free. De grátis. Resisti a tentação e devolvi a bike ao seu (in)devido lugar. Mal sabia eu que no dia seguinte ficaria frustrada por não conseguir alugar a bixinha!

Tentando usar o sistema Mobilicidade

Tentando usar o sistema Mobilicidade

Ainda tentamos alugar umas bikes com uma galera na orla da praia, mas era preço de turista. R$10 a hora. Falamos que queríamos para o dia inteiro e eles cobrariam R$100 o aluguel das duas bikes. Absurdo. Andar de ônibus, metrô e até táxi sairia muito mais barato. Seguimos no convencional: a caminhada.

Depois de muito caminhar, passear no Jardim Botânico, cansamos e seguimos passeando de ônibus até o Flamengo. Andamos mais um tanto, deitamos na praia, tomamos sombra, tomamos sol, tomamos sacolé (aqui conhecido como geladinho) e andamos mais, mais e a vontade de pedalar aumentava a cada ciclista que passava alegre por nós. Mas, como andar de bike estava caro e queríamos girar o pedal, alugamos um quadriciclo. Giramos muito o pedal, já que o negócio não tem marcha e estava leve pra dedéu. Além disso, o freio daquilo ali já tinha ido embora há um tempão. Então, além de pedalarmos, quase atropelamos uns ciclistas, uma galera de skate e o João quase capotou o quadriciclo ao “brincar” da dar cavalinho de pau. Loucura!

Depois mais ônibus, mais caminhada, ônibus para fechar o domingão num boteco da Lapa e um táxi para nos levar à rodoviária para que eu não perdesse o ônibus de volta à São Paulo. Poxa, o final de semana foi agitado. Conhecemos lugares lindos com muita mobilidade. Só faltou mesmo funcionar a tal da Mobilicidade.

Veja todas as fotos da viagem AQUI.

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3 Responses to RJ com mobilidade e sem mobilicidade

  1. João Lacerda disse:

    Pô, num creio que vcs estavam no rio agora no feriado!!

    Eu tb tava! ahhaah

    Bjs

  2. Marcio disse:

    O sistema do mobilicidade nao ter funcionado nao foi uma eventualidade. Cai na besteira de assinar o servico e em 2 dias ja estou arrependido. Ha sempre problema de conexao e sao raras as vezes que consigo pegar uma bicicleta.

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