Porque pedalar não é só pela pressa…

Em meu caminho rotineiro para o trabalho de bicicleta pego a dolorosa (porém, a meu ver, uma das menos piores) subida da Rua Bela Cintra para chegar à Avenida Paulista. Por ser uma subida, acabo pedalando sentado, em marcha leve, curtindo o movimento na calçada, as pessoas dos comércio local e os cachorros passeando, observo os restaurantes que me dão água na boca, mas pelos preços acaba deixando um gosto amargo, e as loucuras que os motoristas fazem no trânsito. Como de costume, hoje fui pegar a dita cuja e me deparo com as mesmas pessoas nas ruas. Não que eu as conheça, mas é curioso que depois de um tempo começou a rolar um “bom dia” aqui, um “tchauzinho” ali, e as típicas brincadeiras que fazem comigo do tipo “força que a subida tá acabando!” Tudo isso me trouxe à reflexão que pedalar é mais que um meio de transporte que me leva (rápido) a um destino. Ele me leva também a um caminho.

Rodovia Bandeirantes – Viagem prólogo à Piracicaba

Pedalar, sem dúvida, me aproximou da paisagem e das pessoas. Vejo outros ciclistas e acabo comprimentando e muitas vezes os acompanho até um ponto em comum no trajeto. Em fase de busca de apartamentos para alugar/comprar, a bicicleta tem facilitado para observar as placas na frente dos prédios e já poder parar e conhecer o ‘apê’ na hora.

Usar a bicicleta diariamente não necessariamente me faz pensar em um deslocamento mais rápido ao trabalho. Mesmo que demorasse 15 minutos a mais do que de carro, com certeza valeria cada segundo a mais (mas não é o caso, rsrs). Enfim, sinto cada vez mais que pedalar é mais que chegar a um destino. É mais que escolher o caminho mais rápido…

Ao mesmo tempo sinto que os motorizados estão demorando cada vez mais no caminho e não conseguem tirar proveito de nada dele, além de ainda correrem o risco de não chegar ao destino. Então, será que o discurso correto é “tá com pressa, vá de bike”? Pra mim acho que está mais para “Quer viver, vá de bike”!

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3 Responses to Porque pedalar não é só pela pressa…

  1. Ludmilla disse:

    Que lindo, João! Tô quase tomando coragem depois dessa…rs

  2. Cleide disse:

    Além de lindos que são esses dois ciclistas, lindas são também todas as narrativas. Fico sempre na espera de novos relatos, sabendo, é claro, que vou me emocionar sempre, graças à sensibilidade deses lindinhos.

  3. Pedro M disse:

    Bacana. Aqui em Brasília é um pouco diferente. Há (bem) menos pessoas na rua e alguns trechos são feitos avizinhando descampadões, e não prédios. Dá margem a outros tipos de reflexão…

    O trânsito também é diferente. Já fiz o caminho até o trabalho algumas vezes e vir de carro ainda é mais rápido — somando o tempo gasto buscando vaga, etc. dá quase a mesma coisa. Infelizmente ainda estou na fase dos incentivos para vir trabalhar de bike, hehehe.

    Se quiser entrar em contato, fique à vontade =)

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